1.6.11

O nobre castelo



Venimmo al piè d'un nobile castello,

sette volte cerchiato d'alte mura,
difeso intorno d'un bel fiumicello.
Inf IV, 106-108

E ao pé chegamos de um nobre castelo,
sete vezes cercado de altos muros,
e tendo em volta um rio calmo e belo.
trad. Jorge Wanderley

O quarto canto do Inferno descreve o Limbo, no qual se encontram os espíritos que na vida foram virtuosos mas que não foram batizados ou, tendo nascido antes do advento do cristianismo, não adoraram Deus de forma correta. Sua pena é apenas moral e não sensorial: não podem chegar a ver Deus: "que sem esperança vivemos no desejo".
Il quarto canto dell'Inferno descrive il Limbo, in cui si trovano gli spiriti che in vita furono portatori di nobili virtú ma che non furono battezzati, oppure, nati prima del cristianesimo, non adorarono Dio nel modo corretto. La loro pena é unicamente morale e non sensoriale: l'impossibilitá di vedere Dio: "che senza speme vivemmo in desio". Inf IV, 42

Alguns destes espíritos residem num lugar particular: o nobre castelo, único lugar em todo o Inferno a ser circundado por um hemisfério de luz. Segundo muitos autores, os sete muros em volta dele são sete as virtudes: prudência, justiça, fortaleza e temperança (morais); e inteligência, ciência e sabedoria (intelectuais)... Mas o riacho belo?...
Ad alcuni di questi spiriti é riservato un luogo particolare: il nobile castello, unico luogo, in tutto l'inferno, circondato da un emisfero di luce. Per molti le sette mura che lo circondano sono le sette virtù, morali: prudenza, giustizia, fortezza e temperanza, ed intellettuali: intelligenza, scienza e sapienza... Ma il bel fiumicello?...

Por que chamá-lo de belo, e depois com um gracioso e humilde diminutivo?
Eu penso que represente a humildade, que defende o castelo dos soberbos, que não se abaixam a tirar os sapatos e molhar os pés para atravessar a água. São Francisco difiniu-a como "humilde e preciosa e casta"; corre sempre rumo abaixo, enquanto os soberbos querem subir ao alto, conduzidos pela turbina da arrogância.
Perchè lo chiama bello, e poi con un grazioso ed umile diminutivo? Io penso che rappresenti l'umiltà, la quale difende il castello dai superbi, che non si abbassano a togliersi le scarpe ed a bagnarsi i piedi per attraversare l'acqua. S. Franceco stesso l'ha definita "umile et preziosa e casta"; questa scorre sempre vero il basso, mentre i superbi vogliono salire in alto, portati dal turbine dell'arroganza.

Muitos dos versos deste canto tornaram-se proverbiais. Quantas vezes, eu mesmo, durante uma excursão à montanha, disse: "andemos que a estrada longa nos impele"... Ao contrário, “e eu fui sexto entre tanta sagacidade”, frequentemente vem usado com falsa humildade por quem ambiciona entrar em um restrito grupo de personagens importantes...
Molti dei versi di questo canto son divenuti proverbiali. 
Quante volte, io stesso, durante una gita in montagna ho detto: andiam che la via lunga ne sospinge...
 Invece, "ed io fui sesto fra cotanto senno", spesso viene usato con falsa umiltà da chi ambisce ad entrare in una ristretta cerchia di persone importanti...

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