15.6.11

Venha Medusa!



"Venga Medusa: sì ‘l farem di smalto"
(Que venha medusa, e o transformaremos em pedra)
Inferno IX -52

Nem mesmo depois que Perseu cortou-lhe a cabeça de um só golpe, nem mesmo então a górgona Medusa, dos cabelos guizados como serpentes, cessou de exercitar seu poder sobre nós, míseros e mesquinhos seres humanos.
Nemmeno dopo che Perseo le spiccò netta la testa d’un solo colpo, nemmeno allora la Gorgone Medusa, dai capelli guzzanti come serpi, cessò d’esercitare il suo potere su noi, miseri e meschini esseri umani.

Só de olhá-la se virava pedra, para sempre; assim como a esposa de Lot, que se voltou para ver Sodoma (por curiosidade?, atração polar dos contrários?, ou o que mais?), e foi transmutada em estátua de sal...
Solo a gurdarla si restava di pietra, per sempre; così come la moglie di Lot, giratasi a guardare Sodoma, (per curiosità?, attrazione polare dei contrari?, o che altro?), fu tramutata in statua di sale…

Virgílio, sempre um tanto paterno (e materno) para com Dante, lhe cobre os olhos, até que isto não ocorra; ao contrário, à chegada do anjo, que com irrisória facilidade abrirá as portas da cidade infernal, ou seja do íntimo pior do inferno, Virgílio, eu dizia, o convida a olhar com máxima concentração. E Dante termina: “Ó vós que haveis os intelectos sãos, olhais a doutrina que se esconde sob o véu dos versos estranhos...”
Virgilio, sempre così paterno (e materno) verso Dante, gli copre gli occhi, affinché ciò non accada; al contrario, al sopraggiungere dell’angelo, che con irrisoria facilità aprirà le porte della città infernale, ossia dell’intimo peggiore dell’inferno, Virgilio, dicevo, lo invita a guardare con la massima concentrazione. E Dante termina: “O voi ch’avete gli intelletti sani, mirate la dottrina che s’asconde sotto il velame delli versi strani…”.

É bem verdade que a doutrina que se esconde sob o véu é “também” aquela da Igreja Católica, doutrina que ensina os remorsos, os sensos de culpa, se diria hoje, guizantes no nosso mundo interior, nos empedram, e portanto é melhor não se olhar demais para dentro... 'Pecca fortiter, sed crede fortius' (peca com força, ma crê com maior força ainda), como dizia Martin Lutero, que jogou a veste para contestar a venda simoniaca das indulgências.
Ben è vero che la dottrina che si nasconde sotto il velame è “anche” quella della Chiesa Cattolica, dottrina che insegna che i rimorsi, i sensi di colpa, si direbbe oggi, guizzanti nel nostro mondo interiore, ci impietriscono, e quindi è meglio non guardarsi troppo dentro … 'Pecca fortiter, sed crede fortius' (pecca fortemente, ma credi ancora più fortemente), come diceva quel frate, che gittò la tonaca, per contestare le vendita simoniache delle indulgenze.

E é também verdade que tal doutrina, aqui obscurecida por todo a cena, segundo a assim conhecida 'Allegoria Theologorum', no tempo de Dante era a única aceita como verdade única, eterna, indiscutível e indestrutível!
Ed è altrettanto vero che tale dottrina, qui adombrata da tutta la scena, secondo la cosiddetta ‘Allegoria Theologorum’, al tempo di Dante era l’unica accettata come verità unica, eterna, indiscutibile ed indistruttibile!

Mas Dante convida a compreender o ensinamento velado, não próprio àqueles que crêem de have-lo, um intelecto 'são', só porque baseado nas teorias 'dominantes', ou seja, nas opiniões dos teóricos do conhecimento, da vida, do todo, do qual o mundo, ainda hoje, é pleno. O convite é para aqueles que têm verdadeiramente curado o próprio intelecto (e todo o resto), de tudo isto...
Ma Dante invita a comprendere l’insegnamento velato, non proprio a coloro che credono d’avercelo, un ‘intelletto’ sano, solo perché basato sulle teorie ‘dominanti’, cioè sulle opinioni dei teorici della conoscenza, della vita, del tutto, di cui il mondo, ancor oggi, è pieno. L’invito è per coloro che hanno veramente risanato il proprio intelletto (e tutto il resto), da tutto ciò …

Medusa somos nós, e só nós (e quem mais além de nós, senão nós mesmos?)... Medusa é o espelho dos nossos bloqueios interiores, que terminam por transformar a causa da nossa incapacidade de vivermos, de viver, de criar, de amar, e de tudo mais, inevitavelmente, acabamos por culpar qualquer outro.
Medusa siamo noi, e solo noi, (e chi altro oltre noi, se non noi stessi?) … Medusa è lo specchio dei nostri blocchi interiori, che finiscono per diventare la causa della nostra incapacità di viverci, di vivere, di creare, d’amare, e di tutto ciò, inevitabilmente, finiamo per far colpa a qualcun altro.

Medusa é a renúncia ao livre arbítrio, assim que nos damos conta do amargo, doloroso significado; e queremos defraudar, iludir, escapar, não se sabe bem para onde, nem como (e nem menos por quê). Vã esperança, porque nos seguirá onde quer que seja, até à lua, a outros planetas, sóis ou galáxias.
Medusa è la rinuncia al libero arbitrio, appena ne abbiamo capito l’amaro, doloroso significato; e vorremo sfuggirgli, eluderlo, scappare, non si sa bene dove, né come (e nemmeno perche'). Vana speranza, perché ci seguirà ovunque, anche sulla luna, su altri pianeti, soli o galassie.

Este espelho, por nós mesmos construído, só nós, e não um Perseu qualquer, podemos definitivamente deixa-lo em cacos, com a mesma facilidade de como o Anjo consegue abrir a porta da cidade de Dite, com aquela sua vara.
Questo specchio, da noi stessi costruito, solo noi, e non un Perseo qualunque, possiamo definitivamente mandarlo in frantumi, altrettanto semplicemente di come l’Angelo riusci' a spalancare la porta della città di Dite, con quella sua verghetta.

De fato, além daquele espelho de ilusões, aquela barreira de falsas garantias, de precárias certezas, de inúteis paradigmas da mente e do coração, além de tudo o mais, e só então, começa o caminho de procura da verdade.
Infatti, oltre quello specchio di illusioni, quella barriera di false rassicurazioni, di precarie certezze, di inutili paradigmi della mente e del cuore, oltre tutto ciò, e solo allora, comincia il cammino di ricerca della verità.




Estudos e lápis para Dite, a cidade Infernal

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