23.8.11

Pluto, demónio guardião de pródigos e avarentos




Pluto, demónio guardião de pródigos e avarentos, fala uma misteriosa e desconhecida língua infernal.
Pluto, il demone guardiano di avari e prodighi, parla una sconosciuta e misteriosa lingua infernale.

‘Pape Satàn, pape Satàn aleppe!,
cominciò Pluto con la voce chioccia’ … (Inf., VII, 1-2)

Estas famosas e enigmáticas palavras, com as quais Dante inventa uma nova língua, digna do lugar e da situação, saem como uma explosão da boca de Pluto, demónio da riqueza, que guarda aqueles que da riqueza material fizeram um uso apenas egoístico e desconsiderado: pródigos e avarentos. Apesar de as palavras gritadas com voz estridente e animalesca por Pluto não terem um significado passível de uma tradução precisa, no geral, soam como uma clara invocação a Satã, soberano e dono da casa (o Aleph), para que fique alerta e intervenha a bloquear os dois.
Queste famosissime ed enigmatiche parole, con cui Dante conia una nuova lingua, degna del luogo e della situazione, escono esplosive dalla bocca di Pluto, demone della ricchezza, che sta a guardia di coloro che della ricchezza materiale hanno fatto un uso solo egoistico o sconsiderato: avari e prodighi. Anche se le parole gridate da Pluto con voce stridula e animalesca non hanno un significato sicuramente traducibile, nel loro complesso suonano come una chiara invocazione a Satana, l’indiscusso sovrano e padrone di casa (l’Aleph), perché si allerti ed intervenga a bloccare i due.

O som destas palavras e seu significado ameaçador são um novo obstáculo à viagem. Mas Virgílio, 'sábio gentil', percebeu imediatamente o sentido da situação que resolve com poucas frases marcantes. Primeiro conforta Dante: por quanto poder ele tenha, não vai nos impedir de prosseguir. Na sequência dirige-se a Pluto, cheio de raiva atee os lábios.
Il suono di queste parole ed il loro minaccioso significato sono un nuovo, pauroso ostacolo al viaggio. Ma Virgilio, ‘savio gentile’, ha afferrato immediatamente il significato della situazione, e la risolve con poche ed incisive frasi. Per primo rassicura Dante: per quanto potere egli abbia, non ci impedirà di andar oltre. Immediatamente dopo si rivolge a Pluto, gonfio di rabbia perfino nelle labbra urlanti.
‘E disse: ‘’ Taci, maledetto lupo! consuma dentro te con la tua rabbia.’’ (Inf., VII, 8-9)

disse: “Calado já, lobo maldito!
Consumam-te por dentro ódio e desgosto.
(Jorge Wanderley)

Será suficiente lembrar ao demónio que a autorização pela viagem de Dante vem do Céu, o mesmo lugar em que o arcanjo Miguel venceu os anjos rebeldes, jogando-os no inferno. A lembrança da antiga derrota e do poder superior do Céu fazem Pluto encolher e cair no chão, inerme, como as velas de um navio quando o vento para.
Basterà ricordare al demone che il viaggio di Dante è voluto dal Cielo, il luogo stesso in cui l’arcangelo Michele vinse gli angeli ribelli, precipitandoli all’inferno. Il ricordo dell’antica sconfitta e del potere superiore del Cielo fanno afflosciare Pluto che cade a terra inerme, come le vele di una nave al cessare del vento che le gonfiava.

Mais uma vez Virgílio demonstrou o poder da razão para enfrentar e resolver os obstáculos criados pelo medo irracional do desconhecido. Dante, como qualquer outro ser humano, guarda dentro de si o mesmo poder e a mesma força racional, mas está confuso e precisa daquele 'ele mesmo' encarnado por Virgílio, para retomar a própria dimensão humana.
Ancora una volta Virgilio ha manifestato il potere della ragione umana nel riuscire ad affrontare e risolvere gli ostacoli creati dalla paura irrazionale e paralizzante dell’ignoto. Dante, che come qualunque altro essere umano ha in sé lo stesso potere, la stessa forza razionale, ma che si trova in uno stato di confusione e sbandamento, ha ancora bisogno di quell’altro ‘se stesso’, che Virgilio incarna, per riscoprire e recuperare la propria piena dimensione umana.

Assim, a viagem de conhecimento das causas e das penosas consequências dos pecados após a morte pode continuar, entre pródigos e avarentos, descendo ainda mais na voragem de sofrimento 'que todo o mal do universo guarda'.
Così il viaggio di conoscenza delle cause, e delle penosissime conseguenze dei peccati dopo la morte, può ancora una volta procedere oltre, tra avari e prodighi, scendendo ulteriormente nella voragine di sofferenza ‘che ‘l mal de l’universo tutto insacca’.

Divididos em dois grupos opostos, cada uma ocupando os lados opostos do quarto círculo, pródigos e avarentos compartilham a mesma pena: empurram com grande esforço fardos enormes, até que os dois grupos se chocam no meio, xingando-se reciprocamente. Viram-se então do outro lado e procedem desta forma pela eternidade.
Divisi in due schiere opposte, ciascuna delle quali occupa la metà del quarto cerchio, avari e prodighi condividono una identica pena: fanno rotolare, con immane e penosa fatica, a forza di petto, enormi macigni, finché i due gruppi si scontrano nel mezzo, insultandosi ed incolpandosi a vicenda. Si girano poi in senso opposto, e procedono così in eterno …

‘ che tutto l’oro ch’è sotto la luna e che già fu, di queste anime stanche non potrebbe farne posare una.’ (Inf., VII, 64-66).

o ouro que exista agora sob a lua
e o que já foi, nessas sombras vencidas
não são repouso para as almas suas”.
(Jorge Wanderley)

Mas seguimos adiante, junto aos dois andarilhos, deixando ao próprio destino estas facções opostas e complementares, que viveram apenas para 'guardar e desperdiçar' e nas quais ninguém, em particular, é reconhecido, tanto ficaram relegados às sobras do esquecimento por seu vício.
Ma passiamo oltre, assieme ai due viandanti, lasciando al loro destino le opposte e complementari schiere, che vissero solo per ‘mal dare e mal tenere’, e nelle quali nessuno è specificamente riconoscibile, tanto il loro vizio li ha abbrutiti in vita ed oscurati, da morti, in un eterno oblio.

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