Imprensa

2.10.19

Farinata, um 'grande' no inferno (1)


Farinata: un ‘grande’ all’inferno. ( I )

“Ora sen va per un secreto calle,

tra ‘l muro de la terra e li martìri,
lo mio maestro, e io dopo le spalle” (Inf., X, 1-3)
E eis vai meu mestre por secreta via
da cidade entre túmulos e muros,
e logo atrás já eu também seguia.
(Jorge Wanderley)


Vencidas as muras de Dite graças à providencial ajuda de um enviado celestial, Dante e Virgílio entram na cidade. Após muitas tensões, incertezas, medo de não conseguir, finalmente um momento de calma relativa.
Espugnate le mura della città di Dite, grazie al provvidenziale intervento di un messo celeste, eccoli finalmente dentro. Dopo tanta tensione, incertezze, paura di non farcela, finalmente un momento di relativa calma.

Todos os demónios sumiram, ninguém está a guarda dos espíritos danados; apenas uma ampla sacada de sepulcros abertos, dos quais saem vivas chamas, enche o vale no qual os heréticos cumprem sua pena. Entre as muralhas e os sepulcros corre apenas uma senda estreita, no qual se encontram Dante e Virgílio. Ogni diavolo è scomparso, nessuno è posto a guardia dei nuovi spiriti dannati; solo una enorme distesa di sepolcri scoperchiati, da cui escono vivide fiamme, riempie il vallone dove gli eretici scontano la loro pena. Fra le mura ed i sepolcri esiste solo uno stretto sentiero, che Dante e Virgilio stanno percorrendo.

“Suo cimitero da questa parte
hanno
con Epicuro tutti suoi seguaci,
che l’anima col corpo morta fanno.” (Inf., X, 13-15).

Aqui tem cemitério consumado
Epicuro e com ele os seus sequazes,
que veem corpo e alma à morte atados.

Assim Virgílio explica a Dante, que desejava conhecer alguns deles. Já no canto VI, ele tinha pedido a Ciacco notícias de Farinata, definindo-o como pessoa digna de louvor; agora percebe que este encontro está para se realizar, mas não ousa repetir o pedido. Virgílio lê no pensamento de Dante: a demanda que você não me faz será satisfeita logo mais.
Così spiega Virgilio a Dante, che aveva espresso il desiderio d’incontrare qualcuno di loro. Già nel canto VI, Dante aveva chiesto a Ciacco notizie di Farinata, definendolo come persona degna di stima; ora intuisce che l’incontro sta per accadere, ma non osa ripetere la richiesta. Virgilio gli legge nel pensiero: la richiesta che mi taci sarà presto soddisfatta.

Na época de Dante a doutrina de Epicuro sobre a alma, que considerava material e mortal como o corpo, era amplamente seguida por Cataros, Albigenses e outras seitas heréticas, e muitos Ghibellini eram considerados seguidores da mesma. Por outro lado, o mesmo Dante julga, no Convívio, esta filosofia como uma das mais nobres da antiguidade. All’epoca di Dante la dottrina epicurea sull’anima, che la riteneva materiale e mortale come il corpo, era ancora largamente seguita da Catari, Albigesi ed altre sette eretiche, e molti Ghibellini erano ritenuti seguaci della stessa. Per altri aspetti, invece, Dante stesso, nel Convivio, giudica la filosofia di vita epicurea come una fra le più nobili dell’antichità.

“O Tosco che per la città del foco vivo
ten vai così parlando onesto,

piacciati di restare in questo loco.” (Inf., X, 22-24)

Ó toscano que as chamas infernais
desta cidade passas vivo e honesto,
para por ora, não caminhes mais.

Estas palavras saem de repente de uma das tumbas. O próprio Farinata, que pelo sotaque reconheceu Dante como florentino, toma a iniciativa, emocionado em ouvir o acento de sua 'nobre pátria' à qual, acrescenta, tenha talvez provocado demasiado mal. Dante, assustado, aproxima-se de Virgílio, mas este o incentiva a responder.
Queste parole, a sorpresa, escono da una delle tombe. Lo stesso Farinata, che dalla parlata ha riconosciuto Dante come Fiorentino, prende l’iniziativa, tutto emozionato nel sentire l’accento della sua ‘nobil patria’, alla quale, aggiunge, forse arrecò troppo male. Dante, intimorito, s’accosta ancor più a Virgilio, ma questi lo sollecita a rispondere.

“Ed el mi disse: ‘Volgiti, che fai?
Vedi Là Farinata che s’è dritto:

da la cintola in su tutto ‘l vedrai’”. (Inf, X, 31-33)

"Volta, que fazes?" disse em seu desvelo,
"Eis Farinata, que ergue o corpo adiante
e da cintura acima podes vê-lo".


Virgílio empurra Dante em direção à tumba, na qual Farinata se encontra erguido com grande dignidade, menosprezando o Inferno e sua condição, e convida o poeta a responder de forma clara e precisa as suas perguntas.
Virgilio lo sospinge verso l’urna, dalla quale Farinata si erge con contegno maestoso, sprezzante dell’inferno e della sua condizione, e lo sollecita a rispondere alle sue domande in modo chiaro e deciso.

Toda a atmosfera que se cia em volta do personagem é alta, solene; oposta a que tinha caracterizado pouco antes o encontro com Filippo Argenti. Mesmo colocando Farinata no inferno (tentaremos entender porque logo mais), Dante deixa perceber que estamos diante de um grande personagem, digno do maior respeito, apesar de sua atual (e definitiva!) condição.
Tutta l’atmosfera che viene creandosi attorno al personaggio è alta, solenne; l’opposto di quella che aveva, poco prima, caratterizzato l’incontro con Filippo Argenti. Dante, pur collocando Farinata all’Inferno (e poi cercheremo di comprenderne il motivo), fa capire che ci troviamo di fronte ad un grande personaggio, degno del massimo rispetto, nonostante la sua attuale (e definitiva!) condizione.

O diálogo que se segue, intenso, direto e pungente, conduzido pau a pau - mas sempre com grande dignidade - entre os dois, merece ser lido por inteiro no decimo canto do inferno. Dante, apesar das opiniões políticas divergentes (deixando de lado, por um momento, os dogmas), devia sentir uma afinidade particular por Farinata, base de sua grande admiração pelo personagem.
Il successivo dialogo, tutto botta e risposta, molto diretto, a tratti pungente, condotto fra i due alla pari, ma con grande dignità, merita di essere letto per intero nel canto decimo dell’Inferno, al quale vi rimandiamo. Dante, nonostante le divergenti opinioni politiche (e tralasciando per un attimo quelle dogmatiche!), doveva sentire una speciale affinità elettiva, alla base della sua grande ammirazione per il personaggio.

Farinata, um 'grande' no inferno (2)

Farinata: un ‘Grande’ all’inferno ( II )

Florentino de família nobre, toda da facção Ghibellina (partidários do imperador), elegante, de fala refinada, com grande talento de comando militar, altivo mas sem arrogância,  corajoso, leal, mesmo se duro com os adversários (o que, naquela época, eram todos), Manente degli Uberti, apelidado 'Farinata' por via dos cabelos loiros claros, tinha nascido no começo de mil duzentos.
Fiorentino, di nobilissima famiglia, tutta di parte Ghibellina, elegante, raffinato nel parlare, con un grande talento di condottiero, fiero ma non arrogante, coraggioso e leale, anche se duro con i gli avversari (ma a quell’epoca lo erano tutti!), Manente degli Uberti, soprannominato ‘Farinata’ per i capelli biondo-chiaro, era nato all’inizio del milleduecento.

Foi o chefe político e militar dos ghibellini de Florença e caçou da cidade os guelfos (partidários do Papa)  em 1248, na época das guerras entre o imperador Federico II e o papado. Passados três anos, porém, com a volta dos guelfos, ele mesmo foi caçado para o exílio com todos os ghibellinos, .
Fu capo politico e militare dei ghibellini fiorentini, e cacciò dalla città i guelfi nel 1248, all’epoca delle guerre fra l’imperatore Federico II ed il papato. Dopo tre anni, però, fu a sua volta cacciato in esilio, con tutti i ghibellini, dal ritorno dei guelfi.

Aliado de Siena e sustentado por Manfredi, em 1260 Farinata deu uma dura lição aos seus concidadãos  na celebre batalha de Montaperti, ' que tingiu o rio Arbia de vermelho', tamanho o sangue vertido. De volta à cidade como vencedor, pude demonstrar naquela ocasião toda sua grandeza e amor pela pátria opondo-se , sozinho, à destruição total da cidade, decretada em Empoli pela assembleia dos ghibellinos da Toscana.
Alleatosi con i Senesi, e sostenuto da Manfredi,  nel 1260 Farinata impartì una durissima lezione ai suoi concittadini guelfi nella celebre battaglia di Montaperti, ‘che fece l’Arbia colorata in rosso’, tanto fu il sangue versato. Rientrato in città da trionfatore, in quell’occasione poté manifestare tutta la sua grandezza d’animo ed il suo amore di patria, opponendosi, solo fra tutti, alla distruzione totale della città, decretata ad Empoli dalla assemblea ghibellina toscana.

“Ma fu’ io solo, là dove sofferto
fu per ciascun di torre via Fiorenza,
colui che la difesi a viso aperto.” (Inf, X, 91-93)

de mim sozinho, só, e a descoberto
na decisão de destruir Florença
o homem que a defendeu, de peito aberto.
(Jorge Wanderley)

De fato, teve a coragem de declarar abertamente, diante de todos, de estar pronto a combater até a morte, com a espada na mão e até sozinho, para impedir o projeto de destruição da cidade.
Infatti ebbe il coraggio di dichiarare apertamente, di fronte a tutti, di esser pronto a combattere fino alla morte, con la spada in mano, anche da solo, per impedire la progettata distruzione della città.

Morreu em 1264, andes da caçada definitiva dos ghibellini de Florença, e um ano antes do nascimento de Dante. O poeta, por outro lado, tinha completado dezoito anos quando ocorreu o processo póstumo por heresia contra Farinata e os outros ghibellini, ainda interrados na cidade. Um frade franciscano, inquisidor, excomungou-os, decretou a condenação ao inferno e a dispersão das ossadas de Farinata e seus seguidores para fora da terra consagrada (desde que ainda distinguíveis das dos outros defuntos guelfos com os quia compartilhavam o cemitério fazia tempo!)...
Morì nel 1264, prima della definitiva cacciata del ghibellini da Firenze, ed un anno prima della nascita di Dante. Questi invece aveva compiuto diciotto anni quando fu celebrato un processo postumo per eresia contro Farinata e gli altri ghibellini, ancora sepolti in città. Un frate francescano inquisitore decretò la scomunica solenne, la perenne condanna all’inferno, e la dispersione delle ossa di Farinata e dei suoi seguaci fuori dalla terra consacrata (purché, beninteso, fossero ancora distinguibili da quelle dei defunti guelfi, con cui ormai da tempo condividevano il cimitero!).

É preciso ainda observar que a excomunga por heresia comportava, ainda que póstuma, o completo sequestro dos bens dos descendentes, a vantagem da classe política dominante e que, muitas vezes, este tipo de processo ocorria por comissão (bem remunerada!), dos políticos no poder.
Bisogna ancora osservare che la scomunica per eresia comportava, anche se postuma, la totale confisca dei beni dei discendenti, a vantaggio della classe politica dominante, e che spesso tali processi avvenivano su commissione (ben remunerata!), dei politici al potere.

Dante, mesmo consciente da possível corrupção à base destes processos, aceita como verdadeira a presumida heresia do grande Farinata. Tendo sido absolutamente monolítica sua ortodoxia religiosa, teve que colocar o nobre concidadão no inferno, entre os heréticos...
Dante, anche se consapevole della possibile corruzione insita alla base di tali processi, dimostra di accettare per vera la presunta eresia epicurea del grande Farinata. Essendo assolutamente monolitica la propria ortodossia religiosa, infatti, non può che collocare il nobile concittadino all’inferno, e tra gli eretici …

No enredo imaginário que envolve A Divina Comédia em quadrinhos, foi colocada, propositadamente, uma afiada pergunta do jovem Cangrande, polemizando com o futuro hospede e grande amigo, pelo destino... final de Farinata. Os della Scala, de fato, eram também ghibellini, tidos portanto como possíveis heréticos. O próprio Cangrande, que não suportava a interferência polícia do Vaticano em assuntos político internos, foi por sua vez excomungado alguns anos depois, tendo sido reabilitado em seguida.
Nell’ immaginaria storia di contorno alla Divina Commedia a fumetti, è stata  inserita, di proposito, una pungente battuta  del giovanissimo Cangrande, in polemica con il suo futuro ospite, nonché grandissimo amico, per la destinazione… finale di Farinata. Gli Scaligeri erano infatti anch’essi  ghibellini,  e ritenuti, per questo, possibili eretici. Cangrande stesso, che non sopportava l’ingerenza politica del papato negli affari politici interni, fu a sua volta scomunicato alcuni anni più tardi, ma poi riabilitato.


Um destino próximo ao de Farinata quase ocorreu com o próprio Dante, algum tempo após sua morte. Já estava pronto um processo póstumo por heresia, que teria sido celebrado em Ravenna, pela total adversão ideológica do poeta em relação ao poder temporal da Igreja, mas uma espécie de levante popular impediu que se concretizasse. O tratado 'De Monarchia', de Dante, que expressava seu pensamento em relação a esta questão, continuou no índice da inquisição até meados de mil e oitocentos.
Un destino identico a quello di Farinata stava invece per toccare allo stesso Dante, qualche tempo dopo la sua morte. Era già pronto, infatti, un processo postumo per eresia, da celebrarsi a Ravenna, per la totale avversità ideologica del poeta nei confronti del potere temporale della Chiesa. Ma una specie di sommossa popolare impedì che ciò avvenisse. Il Trattato ‘De Monarchia’ del poeta, che esprimeva esplicitamente il suo pensiero in proposito,  rimase invece all’indice fino a metà dell’ottocento (circa) … 

O Minotauro: quando o homem torna-se anima

Il Minotauro: quando l’uomo si fa bestia.

A passagem do sexto círculo (heréticos) para o sétimo (violentos) é extremamente árdua: um horrível abismo de rochas desmoronadas, com uma estreita passagem inicial.
 Il passaggio dal sesto cerchi (gli eretici) al settimo (i violenti) è estremamente arduo: un orrido abisso di rocce franate, con uno stretto passaggio iniziale.
“E ‘n su la punta de la rotta lacca
l’infamia di Creti era distesa
che fu concreta ne la falsa vacca;” (Inf., XII, 11-13).
Tudo, no Minotauro, 'infâmia de Creta', expressa brutalidade e violência, desde sua concepção, quando Pasifae, esposa de Mínos, tomada por paixão insana pelo touro branco, entrou numa vaca de madeira (a falsa vaca), para se unir a ele...
Tutto nel Minotauro, ‘infamia’ di Creta, esprime brutalità e violenza, fin dal suo concepimento, allorché Pasifae, moglie di Minosse, presa da insana passione per il toro bianco, entrò in una vacca di legno (la falsa vacca), per potersi congiungere con lui …
“E quando vide noi, sé stesso morse,
sì come quei che l’ira dentro fiacca. (vince) (Inf., X, 14-15)
Com este guardião barrando o caminho, já difícil, Virgílio excogita a única estratégia vencedora: provoca-o até que fique completamente furioso, fazendo com que perca, mesmo por apenas um momento, o controle da situação.
Con un tale guardiano a sbarrare il passo, già di per sé arduo, Virgilio sa escogitare la sola strategia vincente: lo provoca fino a farlo infuriare del tutto, facendogli perdere, anche se per un attimo, il controllo della situazione.
“Tu credi che qui sia ‘l duca d’Atene,
che su nel mondo la morte ti porse?
Partiti, bestia, ché questi non vene
 ammaestrato da la tua sorella,
ma vassi per veder le vostre pene”. (Inf, X, 17-21)
O efeito é imediato: cegado pela ira, que estoura quando sente relembrar os acontecimentos que o levaram a morte, o monstro começa apular aqui e acolá nas quatro pernas, sem nenhum controle dos próprios movimentos, como um touro que recebeu o golpe derradeiro no matadouro, antes de cair definitivamente.
L’effetto è immediato: totalmente accecato dalla violenza dell’ira, che esplode nel sentirsi ricordare gli eventi che lo portarono a morte, il mostro si mette a saltellare qua e là a quattro zampe, senza più alcun controllo dei propri movimenti, come fa un toro che ha ricevuto il colpo mortale nel mattatoio, prima di crollare del tutto.  
“e quello accorto gridò: ’Corri al varco;
mentre ch’e’ ‘nfuria, è buon che tu ti cale.’” (Inf., X, 26-27) 
Virgílio, que no poema é o símbolo da razão humana, deu outra demonstração de quanto seja eficaz o emprego apropriado e tempestivo da mesma...
Virgilio, che nel poema è simbolo della ragione umana, ha dato un’altra dimostrazione di quanto sia efficace un uso adeguato e tempestivo della stessa …
O mito do Minotauro, a história do labirinto no qual foi preso por Minos e a dos sacrifícios humanos periodicamente oferecidos a ele, são conhecido por todos. Vale a pena lembrar que a 'irmã' do Minotauro, citada por Virgílio com uma ponta de refinada malícia provocante, é a famosa Ariadne, que entregou a Teseu, duque de Atenas, o fio proverbial, graças ao qual este conseguiu encontrar a saída do labirinto, após ter matado o Minotauro.
Il mito del Minotauro, la storia del labirinto in cui Minosse lo fece rinchiudere, quella dei periodici sacrifici umani offertigli in pasto, sono quasi universalmente noti. Vale solo la pena di ricordare che la ‘sorella’ del Minotauro, citata da Virgilio con una punta di raffinata malizia provocatoria, è la famosissima Arianna che fornì a Teseo (il duca di Atene) il proverbiale filo, con cui questi riuscì a ritrovare l’uscita del labirinto, una volta ucciso il mostro.
Definitivamente superado o obstáculo do Minotauro, os dois podem agora proceder em direção ao Flagetonte, o rio borbulhante de sangue no qual encontram-se mergulhados os que empregaram violência contra os outros. Mesmo assim, a imagem daquele monstro enfurecido, híbrido obsceno de homem-animal, 'que andar não sabe, mas que aqui e ali vai pulando', permanece indelével na memória, e a distância de setecentos anos continua a nos seduzir. 
L’ostacolo del Minotauro è così definitivamente superato, e i due possono ora procedere verso il Flegetonte, il fiume ribollente di sangue in cui sono immersi coloro che usarono violenza sugli altri. Tuttavia l’immagine di quel mostro infuriato, osceno ibrido di uomo-bestia, ‘che gir non sa, ma qua e là saltella’, rimane indelebile nella memoria e, a settecento anni di distanza, riesce ancora ad affascinarci.

Velhos e novos conhecidos entre os violentos

Vecchie e nuove conoscenze fra i violenti

Segundo Aristóteles, (Ética, livro VII) são três as 'disposições que o céu não quer': Incontinência, bestialidade louca (assim é definida a violência), e malícia. Dante as retoma tais e quais na estruturação  do inferno, muda apenas o nome (mas não o sentido) das últimas duas: violência e fraude.
Secondo Aristotele (Etica, libro VII)  tre sono le “disposizion che’l ciel non vuole”: Incontinenza, matta bestialità (così viene definita la violenza), e malizia. Dante le riprende tali e quali nella strutturazione dell’inferno; cambia solo il nome (ma non il senso), delle due ultime: violenza e frode. 

Até agora, conhecemos os incontinentes (luxuriosos, gulosos, avarentos e pródigos, irados) e uma primeira turba de violentos, os heréticos, com o 'grande' Farinata.
No sétimo círculo, guardado pelo Minotauro, encarnação da 'bestialidade louca', estamos prestes a encontrar outras quatro categorias de violentos: os tiranos sanguinolentos (violentos contra o próximo), os suicidas (violentos contra si mesmo), os blasfemadores (violentos contra Deus) e os sodomitas (violentos contra naturam - assim pelo menos eram considerados na época; hoje também, ao que parece, pela maioria dos bem pensantes, mas felizmente isto está mudando!).
Finora abbiamo conosciuto gli incontinenti (lussuriosi, golosi, avari e prodighi, iracondi), ed una prima schiera di violenti, gli eretici, con il ‘grande’ Farinata.
Nel settimo cerchio, quello custodito dal Minotauro, incarnazione della ‘matta bestialità’, stiamo per incontrare altre quattro categorie di violenti: i tiranni sanguinari (violenti contro il prossimo), i suicidi (violenti contro sé), i bestemmiatori (violenti contro Dio), ed i sodomiti (violenti contro la natura - almeno così erano ritenuti all’epoca; oggi anche, a quanto pare, dalla maggioranza dei benpensanti, ma per fortuna sta cambiando!).


“Ma ficca gli occhi a valle, che s’approccia
la riviera del sangue, in la qual bolle
qual che per violenza in altrui noccia”. (Inf., XII, 46-48)
Mas fita o vale, que leva consigo
o rio-sangue, ali onde em fervura
quem feriu por violência tem castigo.
(Jorge Wanderley)

Assim Virgílio convida Dante a continuar o desfile infernal de pecados e pecadores, logo após ter superado a ameaça do Minotauro.
Così Virgilio invita Dante a proseguire la rassegna infernale di peccati e peccatori, appena elusa la minaccia del Minotauro.

 “Oh cieca cupidigia (di sangue!) e ira folle,
che sì ci sproni ne la vita corta,
e ne l’etterna poi si mal c’immolle!” (Inf., XII, 49-51)
Ó cega cupidez, ira e loucura
que a nós nos esporeia à curta vida
e à outra imerge em dor, que eterna dura!

E lá em baixo, no sangrento borbulhar do Flegetonte, emergem as cabeças dos violentos, atingidos imediatamente pelas flechas de furiosos centauros, os míticos guardas-algozes do local, se apenas tentam emergir mais do que é permitido.
E laggiù, nel sanguigno ribollire del Flegetonte, emergono le teste dei violenti, immediatamente tempestati dai dardi dei furiosi centauri, mitici custodi-aguzzini del luogo, se solo tentano di emergere più del consentito.

“Dintorno al fosso vanno a mille a mille,
saettando qual anima si svelle
del sangue più che sua colpa sortille” (Inf., XII, 73-75)
Pelo fosso, aos milhares, em desfile,
flecham as almaslá do sangue alçadas
além das culpas em que se perfilem.

Nem todos os centauros, porém, são tão brutais. Quíron, mítico preceptor de Aquiles, que pouco antes estava para alvejar os recém chegados ("Quíron com o sulco de um dardo retoca - as barbas para trás bem apartadas. vv. 77-78 por Jorge Wanderley), é descrito como 'grande', tanto fisicamente quanto moralmente. Ele convida Nesso, outro colega, a levá-los para o outro lado do Flegetonte, após confirmar que os dois estão com 'tudo em cima'...
Non tutti i Centauri, però, sono così brutali. Chirone, mitico precettore di Achille, che qualche attimo prima stava per trafiggere i nuovi arrivati (Chiron prese uno strale, e con la cocca - fece la barba in dietro a le mascelle. Ibid, 77-78), è descritto come ‘grande’, sia fisicamente che moralmente. E questi invita Nesso, altro collega, a traghettarli di là del Flegetonte, una volta accertato che i due hanno le carte in regola …

Ao desempenhar este papel, Nesso nomeia alguns dos 'velhos' tiranos: Alexandre (não o 'Magno', mas o filho de Felipe - não de Edimburgo mas da Macedonia...); Dioniso (o de Siracusa), e dois contemporâneos: o famigerado Ezzelino III de Romano e Obizzo de Este, não menos violento que o anterior.
Nel assolvere questo compito, Nesso nomina alcuni dei ‘vecchi’ tiranni, “che dier nel sangue e nell’aver di piglio” (Ibid., 105): Alessandro (non quello ‘Magno’, ma il figlio di Filippo - non di Edimburgo, ma di Macedonia …); e poi Dioniso (quello di Siracusa), e due contemporanei: il famigerato Ezzelino III da Romano e Obizzo II d’Este, non meno violento del primo. 

Mas quem são os outros dois, que Nesso não podia nem conhecer nem nomear, que se entreolham fixamente, alucinados e dignos dos piores loucos da história e que aqui se encontram retratados no primeiro plano? Mesmo sendo dois personagens da recente história européia os amigos brasileiros não terão dificuldade em reconhece los.
Ma chi sono gli altri due, che Nesso non poteva conoscere né nominare, che si guardano fissi negli occhi allucinati e degni dei peggiori pazzi della storia, e che qui sono ritratti in primo piano?
Anche se sono due personaggi della recente storia europea, gli amici lettori brasiliani non faticheranno certo a riconoscerli.

Pode-se objetar que a América latina e outros continentes também assistiram ao nascimento de personagens similares, mas por dever de hospitalidade os dois europeíssimos autores do blog preferiram lavar em público a 'própria' roupa suja, e não a dos outros....
Si potrà obiettare che anche la Latino-america e gli altri continenti hanno visto la sciagurata nascita di personaggi siffatti, ma per dovere di ospitalità i due europeissimi autori del blog hanno preferito lavare in pubblico i ‘propri’ panni sporchi, e non quelli altrui …

Pier delle Vigne

Non era ancor di là Nesso arrivato,
quando noi ci mettemmo per un bosco
che da neun sentiero era segnato … (Inf, XII, 1-3)
Não dera ainda Nesso do outro lado,
o nosso passo em bosque já se apura
que por nenhuma trilha era cortado.
(Jorge Wanderley)

Mais ainda que na 'selva selvagem e áspera e forte' o ambiente aqui se torna complexo, impenetrável, tomado por arbustos retorcidos com tocos venenosos no lugar dos frutos. Acocoradas naqueles galhos as 'feias harpias', hórridos híbridos entre homens e pássaros, aqui constroem seu ninho... Tudo evoca repulsa, tormento, angustia, assim como a culpa espiada aqui pela eternidade: o suicídio...
Ancor più che nella ‘selva selvaggia et aspra e forte’, qui l’ambiente si fa intricato, impenetrabile, invaso da sterpaglia contorta e nodosa; velenosi stecchi al posto dei frutti. Appollaiate su quei rami le 'brutte Arpie’, orrendi ibridi fra uomo ed uccellacci, qui fanno il loro nido …
Tutto suscita angoscia, tormento, repulsione, come la colpa che qui si espia in eterno: il suicidio …
 

… ‘Allor porsi la mano un poco avante
e colsi un ramoscel da un grande pruno;
e ‘l tronco suo gridò: “Perché mi schiante?” (Ib., 31- 33)


‘Uomini fummo, e or siam fatti sterpi:
ben dovrebb’esser la tua man più pia,
se state fossimo anime di serpi … (Ib., 37 - 39)


E aí erguendo a mão, puxando-o à parte
colhi um ramo de um grande espinheiro
e o tronco então gritou: "por que me partes?"

"Fomos homens, em tronco agora jacentes:
deverias ter mão mais compassiva
até se em nós fosse alma de serpentes"

Na versão original, Dante exibe mais uma vez a capacidade de empregar o som das palavras, que se torna musica estridente e macabra, para enfatizar a atmosfera do lugar e do pecado. É perceptível no som sibilante das duplas consoantes 'ss... sh', que tornam perceptível o assobiar do vento naquela grama árida; na junção dos 'str', aonde sibilo, truncamento e rotacismo criam uma assonância lúgubre, e assim por diante... 
Nella versione originale, Dante esibisce ancora una volta la capacità di usare il suono delle parole, fattosi musica macabra e stridente, per rendere al massimo livello l’atmosfera del luogo e del peccato. Lo si percepisce nelle sibilanti raddoppiate ‘ss …sh’, che fanno percepire il frusciar del vento fra quell’arida sterpaglia; negli accoppiamenti ‘str’, ove sibilo, troncatura e rotacismo creano una lugubre risonanza, e così via …

E pensar que, enquanto escrevia, Dante estava também criando a 'nova' língua; como quem, caminhando, tivesse também que construir a estrada por onde anda... Único, inimitável e impossível de ser alcançado até nisso. 
E pensare che mentre scriveva, Dante stava anche creano la lingua ‘nuova’; come chi, camminando, dovesse anche costruirsi la strada su cui cammina … Unico, irripetibile e irraggiungibile, anche in questo!


Mas vamos em frente: quem está atrás do 'galho quebrado', da qual saem ao mesmo tempo 'palavras e sangue' é Pier de la Vigna, literato, jurista e latinista exímio, além de contador e secretário particular do grande Frederico II da Alemanha.
Ma andiamo oltre: chi si cela dentro la ‘scheggia rotta’, da cui escono insieme ‘parole e sangue’ è Pier de la Vigna, letterato, giurista e latinista eccelso, nonché notaio e segretario particolare del grande Federico II di Svevia.
 

‘Io son colui che tenni ambo le chiavi
del cor di Federigo, e che le volsi,
serrando e disserrando, si soavi,


che dal secreto suo quasi ogn’uom tolsi … (Ib., 58 - 61)



Sou aquele que teve as duas chaves
do coração de Frederico; e impulsos
nele cerrei e descerrei tão suave,

que aos demais fiz de tal segredo expulsos.

E narra o próprio atormentado suicídio, causado pela desonra, insustentável, da difamação:
E racconta la sua tormentata morte di suicida, causata dal disonore, insostenibile, della diffamazione:
 

‘La meretrice che mai da l’ospizio
 di Cesare (la corte imperiale) non torse gli occhi putti,
morte comune e de le corti vizio,


infiammò contra me li animi tutti;
e li ‘nfiammati infiammar si Augusto (Federico II),
che ‘lieti onor tornaro in tristi lutti.


L’animo mio, per disdegnoso gusto,
credendo col morir fuggir disdegno,
ingiusto fece me contra me giusto.’ (Ib., 64 - 72)


... a meretriz que olhar e malefícios
planta no hotel de César moradores,
morte comum, de toda corte o vício,

inflamou contra mim tantos humores
que os inflamados inflamam Augusto
e à minha glória dão luto e rancores.

Meu desdenhoso espírito, que angusto
quis pela morte fugir ao desdém,
o injusto impôs em mim, impôs ao justo.

Síntese extrema de um drama humano igualmente extremo.
Um ano antes da morte e seu amado príncipe, ocorrida em 1249, quando o destino do próprio Frederico estava marcado, este mandou aprisionar e cegar com brasas de carvão seu fiel conselheiro, levado a isso pelas caluniosas acusações de peculato: num primeiro momento apenas sussurradas e insinuadas velhacamente, em seguida murmuradas e, finalmente, revessadas para cima dele com a força devastadora de um torrente em cheia, pelos cortesões lívidos de inveja. Assim, pelo menos, segundo Dante, que não esconde, por trás da condenação pelo suicídio, a admiração pela homem, acusado injustamente de infâmias atrozes.
O próprio Dante subiu análoga acusação infamante, mas não tirou sua própria vida por causa disto. E, enquanto escrevia estes versos, entre 1304 e 1307, a coisa devia ainda feri-lo (quase) mortalmente...
Estrema sintesi di un estremo dramma umano.
Un anno prima della morte del suo adorato, amatissimo principe, nel 1249, quando ormai il destino dello stesso Federico era segnato, questi fece imprigionare ed accecare con carboni ardenti il suo fedelissimo consigliere, a ciò indotto dalle calunniose accuse di peculato: prima bisbigliate e vigliaccamente insinuate, poi mormorate, e finalmente, rovesciate su di lui con la furia devastante di un torrente in piena, dai cortigiani lividi d’invidia. Così almeno, per Dante, che non nasconde, dentro la condanna del suicida, l’ammirazione per l’uomo, ingiustamente accusato d’infamità atroci.

Dante stesso subì analoga accusa infamante, ma non per questo si tolse la vita.  E mentre scriveva questi versi, fra il 1304 ed il 1307, la cosa doveva ancora ferirlo (quasi) a morte…
 

Mas as coisas ocorreram realmente desta forma? Quem era Frederico II, qual enorme influência teve na Itália daquela época e de hoje? É o que veremos no próximo episódio.
Ma le cose andarono veramente così? Chi era Federico II, quale enorme influenza ebbe nell’Italia d’allora e di oggi? Lo vedremo nella prossima puntata.

Federico II: um imperador illuminado

Federico II: un imperatore illuminato

La nascita di Federico II a Jesi
Neto de Frederico Barbarossa, filho da imperatriz Constança, pai de Manfredo e avô de Conradino da Germânia, Frederico II da Germânia (Jesi, 26-12-1194 - Castel Fiorentino, 13-12-1250) é um dos maiores homens políticos da historia da Itália. Hoje, aliás, poderíamos apenas sonhar com um personagem como ele... Mas paciência: o fim do mundo ainda não chegou!
Nipote di Federico Barbarossa, figlio dell' Imperatrice Costanza, padre di Manfredi e nonno di Curradino di Svevia, Federico II di Svevia (Jesi, 26-12-1194 - Castel Fiorentino, 13-12-1250) è uno dei più grandi uomini politici della storia d'Italia. Oggi, ancora, ce lo sogneremmo, un personaggio come lui... Ma pazienza: la fine del mondo non è ancora arrivata!

Dante, sem duvida, sente por ele, ghibellino e herético presumido ("Com mais de mil aqui me igualo, entre eles o segundo Federico" - Inf, X, 118 -119 - Trad. Jorge Wanderley), uma admiração não disfarçada. No canto III do paraíso, introduzindo a figura da mãe dele, Constância de Altavilla, (espírito que faltou com os votos),  Dante, por meio de Piccarda, assim se expressa: "É a excelsa Constância, a que radia: deu de Suábia ao imperador segundo herdeiro, em que extinguiu-se a dinastia" (Par, III, 40-43 trad. J.X. Pinheiro). Em outras palavras, elogia o soberano abertamente como tendo sido liberal e iluminado. Mas a Comédia era, antes de tudo, uma obra de caráter moral...
Incontro di Dante con Costanza. (Dis.di Piero Bagnariol - A Divina Comedia HQ)
Dante, indubbiamente, prova per lui, Ghibellino, eretico o supposto tale ("Qui con più di mille giaccio: qua dentro è 'l secondo Federico" - Inf, X, 118-119, Eretici), una non celabile ammirazione. Nel canto III del Paradiso, introducendo la figura di sua madre, Costanza d'Altavilla (spirito che mancò ai voti), Dante, per bocca di Piccarda Donati, dice così: "Questa è la luce della gran Costanza / che del secondo vento di Soave (la seconda generazione Sveva) generò il terzo e l'ultima possanza." In altre opere lo elogia apertamente come sovrano liberale ed illuminato. Ma la Commedia era, prima di tutto, un'opera di carattere morale...

La corte di Federico II
Tudo, no grande Federico está envolvido numa áurea lendária, entre magia, mito, bruxaria, magnanimidade e crueldade (e em tudo há, pelo menos, um pouco de verdade): tudo, desde seu nascimento. A mãe, em idade já avançada, conseguiu, quase milagrosamente, ficar grávida e dar ao marido, Henrique VI, Imperador do Sacro Romano Impero, o tão esperado herdeiro. Entrada em trabalho de parto na região de Marche, em caminho para a Sicília, aonde se encontrava o marido, acabou por parir em Jesi, numa praça pública (ao abrigo de um pequeno palanque, claro...).
Isso porque o povo, e não apenas o povo, queria a prova de que era um parto de verdade e não um embuste... Muitos, de fato, esperavam ocupar o Reino da Sicília, em caso de 'Vacatio Imperatoris', de falta de herdeiros naturais, in primis Santa Romana Chiesa (não teria sido nem o primeiro nem o último caso)...
Tutto, del grande Federico, è avvolto da un alone leggendario, in bilico fra magia, mito, stregoneria, magnanimità ed efferatezza (ed in tutto c'è almeno un po' di vero); tutto, a partire dalla sua nascita. La madre, ormai molto avanti con gli anni, riuscì, quasi miracolosamente, a restare incinta, e a dare al marito, Enrico VI, Sacro Romano Imperatore, il tanto atteso erede. Colta dalle doglie nelle Marche, in viaggio verso la Sicilia, ove si trovava il marito, si fermò a partorire a Jesi, e dovette farlo in una pubblica piazza (beninteso al riparo di un baldacchino... ). 
Ciò perchè il popolo, e non solo il popolo, pretese la prova che si trattasse di un parto, e non d'una messinscena... Molti infatti, ambivano ad occupare il Regno di Sicilia, in caso di 'Vacatio Imperatoris', di mancanza di eredi naturali, in primis Santa Romana Chiesa (non sarebbe stato né il primo né l'ultimo caso)...

Tendo ficado órfão do pai com três anos (e uma lenda guelfo-católica da época sustentava que ele o teria sufocado; veja só estes guelfos!), teve diversos tutores, entre os quais vários padres. Sua relação com a Igreja foi um bobe-desce de amores, alianças, ódios, guerras, excomungas e remissões das mesmas, por toda vida...
Será suficiente lembrar que, quando um ano depois morreu também da mãe, esta estabeleceu no testamento que o pequeno ficasse sob a tutela do Papa (Inocêncio III), com um belo montante de trinta mil talentos de ouro. Pelo incomodo, diríamos hoje; na verdade com a esperança de que Inocêncio ficasse satisfeito e não esticasse as garras sobre o reino...
Esperança vã, já que Inocêncio e os sucessores tentaram repetidamente o feito de diversas formas e em diversos momentos... Mas o jovem, crescendo, demonstrou ter um caráter nada remissivo. De fato, morreu ainda Imperador, apesar de, nesta altura, o reino já estar vacilando.
Castelloursino, Catania. Eretto da Federico II
Daí a pouco, de fato, a Igreja tentou com sucesso, tanto com o filho Manfredi (ao qual Dante dedica uma homenagem póstuma no Purgatório), quanto com o neto, Conradino - sobre a execução do qual (foi decepado, com apenas dezesseis anos, pelos Anjou em Nápoles) o próprio Dante irá escrever dois versos, sarcásticos e indignados, contra Carlos de Anjou, o carniceiro: "Carlos, Itália entrando, em penitência vitimou Conradino... (Pur. XX, 23-24, por J.X. Pinheiro)
Rimasto orfano a tre anni del padre (e una leggenda ... guelfo-cattolica dell'epoca sosteneva che lo avesse soffocato; guarda un po' questi Guelfi!), ebbe vari tutori, fra cui non pochi preti. Il suo rapporto con la Chiesa fu un'altalena di amori, alleanze, odii, guerre, scomuniche e remissioni dalle stesse, per tutta la vita... 
Basti dire che, quando un anno dopo morirà anche la madre, questa dispose per testamento che il piccolo fosse sotto la tutela del papa (Innocenzo III), con la bella sommetta di trentamila talenti d'oro. Per il disturbo, si direbbe oggi; in realtà nella speranza che Innocenzo si accontentasse, e non allungasse gli artigli anche sul Regno... 
Vana speranza, giacchè Innocenzo ed i successori ci provarono, eccome, in vari modi ed in più riprese... Ma il giovane, crescendo, dimostrò un carattere tutt'altro che remissivo. Morì, infatti, ancora Imperatore, sebbene il regno già traballasse.
Di li a poco, infatti, Santa Romana Chiesa ci riprovò, con pieno successo, sia con il figlio, Manfredi (cui Dante dedicherà uno straziante omaggio postumo in Purgatorio), che con il nipote Corradino, del cui scempio (decapitato a soli sedici anni dagli Angioini a Napoli), Dante stesso sciverà due versi in sua memoria, sarcasticamente sprezzanti  contro Carlo D'Angio', il carnefice: "Carlo venne in Italia, e per ammenda / vittima fè di Corradino... (Purg, XX, 23-24).

Mas voltemos a Frederico, ao seu secretário-primeiro ministro Pier delle Vigne e à tragédia final... Pier delle Vigne não foi, com certeza, isento de culpas, primeira entre todas a de penetrar tão profundamente no coração de Frederico, ao ponto de excluir todos os outros. Até àquele momento, o Príncipe iluminado tinha conseguido, de fato, criar uma monarquia  constitucional, confiando a pessoas excelentes a gestão de importantes questões administrativas. Mas a chegada de Pier delle Vigne, marcou o 'começo do fim'. Confiou nele cegamente e, talvez por isso também, sofreu a mais humilhante derrota em Parma, em 1248. Os parmenses, sitiados havia tempo, aproveitaram de uma saída dele para uma caçada e destruíram exercito e acampamento...

Ma torniamo a Federico, al suo segretario-primo ministro Pier delle Vigne, ed alla tragedia finale.
Pier delle Vigne sicuramente non fu esente da colpe, prima di tutte quella di penetrare così a fondo nel cuore di Federico, da farne escludere tutti gli altri. Fino a quel momento, infatti, l'illuminato Principe aveva saputo creare il prototipo di una moderna monarchia costituzionale, affidando ad eccellenti persone la gestione di importantissime funzioni amministrative. Con Pier delle Vigne, invece, fu l'inizio della fine. Si fidò ciecamente di lui e, forse anche per questo, patì la più umiliante e grave delle sconfitte a Parma, nel 1248. I Parmensi, da tempo assediati, approfittando di una sua sortita a caccia, distrussero esercito ed accampamento ...

Casteldelmonte (Puglia). Il castello ideale
A ira de Federico caiu também sobre o amado secretário, acusado (fato historicamente acertado) de tramar com o papa... O resto já foi dito no artigo anterior deste blog... no dia 13 de dezembro de 1250, em Castel Fiorentino, na amada região de Puglia, Federico morreu, provavelmente envenenado, por um ataque de disenteria...
Bem que o avô dele, o grande Barbarossa, tinha avisado, e mais de uma vez: é melhor ficar longe da Itália. O mais longe possível!
L'ira di Federico si riversò anche sul tanto amato segretario, accusato (ed è storicamente vero!), di tresche con il papa... Il resto lo sappimo dal precedente articolo di questo Blog..
Il 13 dicembre 1250, a Castel Fiorentino, nell'amatissima Puglia, Federico II morì, probabilmente avvelenato, per un attacco di dissenteria ...
Eppure suo nonno, il grande Barbarossa, lo aveva detto, e più volte: dall'Italia, meglio stare lontani. Il più possibile!

Louro era e belo e de gentil aspecto...

Incoronazione di Manfredi a Re di Sicilia
Biondo era e bello e di gentile aspetto...

"Io mi volsi ver lui e guardail fisso:
biondo era e bello e di gentile aspetto, ma l'un de' cigli un colpo avea diviso." (Purg, III, 103-105)
Voltando-me encarei-o com porfia:
louro era e belo e de gentil aspecto
mas nos cílios um golpe se lhe via.
(Henriqueta Lisboa)

Assim Dante descreve seu encontro imaginário com Manfredi, filho preferido do grande Frederico II, entre os principes que demoraram em se arrepender, no terceiro canto do purgatório. Manfredi era filho natural de Frederico, não o único, já que o imperador teve filhos de montão... Filho natural mas legitimado pelo mesmo pouco antes de morrer, graças ao casamento com Bianca Lancia, sua mae. O casamento foi ditado também por motivos políticos, mas coroou também o grande amor que Frederico sentia por Bianca. A Igreja, porém, não quis reconhecer a união, já que ambicionava ficar com o reino do sul da Italia: Nápoles e Sicília. Vários papas, a cada lenhada que tomavam do valente Manfredi, respondiam excomungando o mesmo, além de ofensas e calunias: bastardo, usurpador, parricida. Sim, parricida, divulgando com habilidade um falso sobre esta questão... mas esta não foi a primeira vez (nem a última!).
Così Dante descrive il suo immaginario incontro con Manfredi, figlio prediletto del grande Federico II, fra i Principi che tardarono a pentirsi, nel terzo canto del purgatorio.
Manfredi era figlio 'naturale' di Federico, non l'unico, che l'Imperatore ne ebbe un sacco... Figlio naturale, ma legittimato dallo stesso, poco prima di morire, grazie al matrimonio con Bianca Lancia, sua madre. Matrimonio dettato anche da motivi politici, ma coronamento del grande amore nutrito da Federico per la stessa. Ma la Chiesa non lo volle riconoscere, per proprio tornaconto, giacchè aspirave a prendersi il regno del sud: Napoli e Sicilia. I vari papi, ad ogni batosta che si prendevano dal valorosissimo Manfredi, rispondevano con una scomunica allo stesso, nonchè con l'offesa e la calunnia: bastardo, usurpatore, patricida. Sì, perfino patricida, diffondendo ad arte un falso sulla questione... Ma non era la prima volta (nè l'ultima!).

Battaglia di Benevento
Finalmente, Papa Clemente IV, em 1266, decidiu nomear Carlos I de Anjou Rei da Sicília. O 'francês sem terra' não hesitou  em se jogar sobre a presa apetecível. Tendo trazido de volta o Papado de Viterbo para Roma, levou a cabo a própria 'nobre' (e 'santa') cruzada...
Manfredi, estoicamente defendido por tropas de sarracenos, sicilianos e alemães, mas abandonados pelos Barões italianos, aliados calculistas e medrosos, morreu em Benevento, no dia 16 de Fevereiro de 1266, lutando heroicamente até a última gota de sangue... Infame página de história do Papado e dos 'Italianos' destinada a não ser a derradeira!
Alla fine, Papa Clemente IV, nel 1266, si decise a nominare Carlo I D'Angio' Re di Sicilia. Il 'Francese senza terra' non esitò a buttarsi sulla ghiottissima preda. Riportato il Papato da Viterbo a Roma, portò a compimento la propria 'nobile' (e 'santa') crociata contro gli Svevi...
Manfredi, strenuamente difeso dalle truppe saracene, siciliane e tedesche, ma abbandonato dai Baroni italiani, suoi calcolati e pavidi alleati, morì a Benevento, il 26 febbraio 1266, combattendo eroicamente fino all'ultima goccia di sangue... Vergognosa pagina di storia del Papato e degli 'Italiani', destinata a non esser l'ultima!

Mas voltemos a Dante
Ma torniamo a Dante.
...
Poi sorridendo disse: Io son Manfredi,
nepote di Costanza imperatrice
( ...)
Se 'l pastor di Cosenza, che a la caccia
di me fu messo per Clemente allora,
avesse in Dio ben letta questa faccia, (accenno al pentimento in punto di morte)
l'ossa del corpo mio sarieno ancora
in co' del ponte presso a Benevento
sotto la guardia de la grave mora. 
(Il tumulo di pietre, eretto in sepoltura dagli stessi francesi, in suo onore!)
Or le bagna la pioggia e move il vento
di fuor dal regno, quasi lungo 'l Verde,
ove le trasmutò a lume spento. 
Dorè: Or la bagna la pioggia e move il vento
(Purg, III, 107-145)
 E acrescenta a sorrir: "Eu sou Manfredo,
 o neto de Constança, a imperatriz.
(...)
se o Pastor de Cosenza que na caça
dos meus restos, a mando de Clemente,
de Deus houvesse pressentido a graça,
(acena ao arrependimento em ponto de morte)
meus ossos estariam ainda em frente
à ponte quase junto a Benevento
sob a guarda da lápide silente. (o túmulo de pedras erguido pelos franceses em sua honra!).
Agora os banha a chuva e os move o vento
fora do reino perto ao rio Verde
transportado com lumes de escarmento.
(Henriqueta Lisboa)

Era a solene excomunga post mortem, encomendada pelo próprio Clemente IV e perpetrada pelo bispo de Cosenza: aviso para todos e perseguição sobre o cadáver do heróico principe do qual era preciso apagar até a futura memória.
'Agora os banha a chuva e os move o vento'...
extrema síntese dantesca, de alto valor poético, trágico e humano, eterna vergonha para Clemente e Cia. mas imortal exaltação do louro, belo e gentil último príncipe desta dinastia na Itália...
Era la solenne scomunica post mortem, voluta dallo stesso Clemente (Clemente?), e perpetrata dallo scagnozzo che gli faceva da Vescovo a Cosenza: ad ammonimento di tutti, ed in accanimento perfino sul cadavere dell'eroico principe, di cui andava cancellata anche la futura memoria.
'Or la bagna la pioggia e move il vento'...
Estrema sintesi dantesca, di altissimo valore poetico, tragico ed umano, a perenne vergogna di Clemente & Co, ma ad immortalare, per sempre, il biodo, bello e gentile ultimo principe Svevo in Italia...