31.5.11

Entrevista Radio UFMG

Áudio da entrevista realizada hoje pelo programa Universo Literário da rádio UFMG sobre o lançamento em São Paulo da Divina Comédia em quadrinhos.

30.5.11

Cangrande della Scala

Canfrancesco della Scala, depois apelidado Cangrande, nasceu em Verona em 1291 e faleceu em Treviso em 1329. Ainda moço, em 1304, conheceu Dante quando este ficou hospedado pela primeira vez em Verona, na corte do irmão mais velho Bartolomeo. Muito precoce, seja intellectualmente que fisicamente, suscitou em Dante um sentimento de carinhosa admiração.

Canfrancesco della Scala, poi soprannominato Cangrande, nacque a Verona nel 1291 e morí a Treviso nel 1329. Ancora fanciullo, nel 1304, conobbe Dante quando questi fu ospite per la prima volta a Verona, presso la corte del fratello maggiore Bartolomeo. Precocissimo sia intelettualmente che fisicamente, suscitó in Dante un sentimento di affettuosa ammirazione.

Já senhor de Verona em 1311, hospedou novamente Dante entre 1313 e 1318, oferecendo-lhe a oportunidade de completar a redação de Inferno e Purgatorio e de começar a do Paraíso. Os dois ficaram muito amigos tendo uma atitude recíproca de admiração e consideração. No canto XVII do Paraíso, Dante, que tinha depositado nele a grande esperança de uma solução política na Itália, exalta suas qualidades morais e de líder militar, na fala do próprio tataravô Cacciaguida.

Diventato signore di Verona nel 1311, ospitó nuovamente Dante fra il 1313 e 1318 offrendogli l'opportunitá di completare la stesura di Inferno e Purgatorio e di iniziare quella del Paradiso. I due divennero intimi amici con un reciproco atteggiamento di stima e ammirazione. Nel canto XVII del Paradiso, Dante, che aveva riposto in lui grandi speranze di una sistemazione politica delle vicende italiane, ne elogia le qualitá morali e di condottiero, per bocca del proprio trisavolo Cacciaguida:

" Parran faville de la sua virtute

in non curar d'argento né d'affanni.
Le sue magnificenze conosciute

saranno ancora, sí che' suoi nemici

non ne potran tener le lingue mute.

(...)

Per lui fia trasmutata molta gente,
cambiando condizion ricchi e mendici"

(Paradiso XVII, vv. 83 - 87 e 89 - 90)


Monumento a Cangrande em Verona

Em 1316 Dante dedicou a Cangrande o Paraíso numa famosa carta que alguns consideram falsa. Cerca de 20 anos depois, Petrarca, de passagem por Verona, teria ouvido dizer que, em algumas ocasiões, Cangrande não renunciava a alfinetar o poeta, mesmo em público. Mesmo não sendo o fato documentado com certeza, sento ele compatível com o caráter peculiar de Cangrande, retomamos ele na história que serve de pano de fundo à Comédia, para conferir vivacidade dialética à relação entre os personagens.

Nel 1316 Dante dedicó a Cangrande il Paradiso in una celebre lettera - da alcuni peró ritenuta un falso. Circa vent'anni dopo, il Petrarca, di passaggio a Verona, avrebbe sentito dire che Cangrande, in qualche occasione, non rinunciava a punzecchiare il Poeta anche pubblicamente. Anche se la cosa non é documentata con certezza, essendo consona al carattere particolare di Cangrande, l'abbiamo ripresa nella storia di contorno alla Commedia, per dare una certa vivacitá dialettica al rapporto fra i due personaggi.

Em 2004 o corpo de Cangrande, ainda bem conservado, foi exumado e submetido a análises químicas e radiografias. Ficou claro que o líder morreu envenenado com digitalina. Isto faz pensar que os guelfos possam ter usado a substância para envenenar o perigoso antagonista que estava expandindo perigosamente os próprias conquistas no norte da Itália.

Nel 2004 il corpo di Cangrande, ancora ben conservato, é stato riesumato e sottoposto a numerose indagini chimiche e radiologiche. Da queste é emerso chiaramente che il condottiero morí avvelenato dalla digitale. Questo fa pensare che i guelfi possano aver utiizzato la sostanza per eliminare l'antagonista che stava espandendo fin troppo pericolosamente i propri domini nel nord Italia.


A tumba de Cangrande, sempre em Verona.

26.5.11

Bartolomeo della Scala: "il gran Lombardo"



" Lo primo tuo refugio e ‘l primo ostello sarà la cortesia del gran Lombardo che ‘n su la scala porta il santo uccello; ch’in te avrà si benigno riguardo, che del fare e del chieder tra voi due, fia primo quel che tra li altri è più tardo." (paradiso, XVII v.70-75)

- O primeiro abrigo (no exilio de Dante) será a corte do grande Lombardo (Bartolomeo della Scala) que sobre o emblema da escada exibe o grande pássaro (a águia imperial); com você ele será tão gentil e solícito que irá satisfazer qualquer desejo seu antes mesmo que você peça.

Após os acontecimentos de 1303 (derrota da facção dos Guelfos Brancos na batalha de Lastra), Dante foge para Verona, na corte de Bartolomeo della Scala, entre o final de 1303 e o começo de 1304, antes, de qualquer forma, de 7 de março deste ano, data do falecimento de Bartolomeo.

In seguito agli eventi del 1303 (disfatta dei guelfi bianchi nella battaglia della Lastra), Dante si recò a Verona, alla corte di Bartolomeo della Scala, fra la fine del 1303 e l’inizio del 1304, prima comunque del 7 Marzo, data della morte di Bartolomeo.

Filho de Alberto I della Scala e irmão maior de Cangrande, Bartolomeo foi senhor de Verona entre 1301 e 1304. Na nossa livre adaptação da Comédia aparece no enredo como interlocutor de Dante que conta a ele o percurso realizado nos primeiros dois reinos do além (Inferno e Purgatório).

Figlio di Alberto I della Scala e fratello maggiore di Cangrande, Bartolomeo fu signore di Verona tra il 1301 e il 1304. Nel nostro libero adattamento della Commedia, appare sullo sfondo di un racconto immaginario delle prime due cantiche (Inferno e Purgatorio), che Dante gli fa prima che fossero state scritte.

Dante se refere indiretamente a ele nos versos citados acima do canto XVII do Paraíso.

Dante ne fa un preciso accenno, senza nominarlo direttamente, nei versi citati sopra del canto XVII del Pardiso.


Tumba de Bartolomeo della Scala em Verona.

25.5.11

A recusa maior

“Vidi e conobbi l’ombra di colui
che fece per viltade il gran rifiuto”

(Divina Commedia, Inferno, Canto III, versi 59-60).

'reconheci também sombra daquele
que a recusa maior tinha cumprido.'
(tradução de Jorge Wanderley)

Após o encontro com Virgílio, descrito no primeiro canto do Inferno, este não-nomeado é o segundo de uma longa série de personagens que Dante encontra na viagem de redenção nos três reinos do além.

Dopo l’incontro con Virgilio, descritto nel primo canto dell’Inferno, questo innominato è il secondo di una lunghissima serie di personaggi che Dante incontrerà nel viaggio di redenzione attraverso i tre regni ultraterreni.

Uma multidão desmedida de almas nuas, picadas por mosquitos e marimbondos, com o rosto marcado por lagrimas e sangue, alimento de vermes nojentos aos seus pés, constitui a turba dos negligentes que viveram 'sem erro ou louvor' recusados tanto por Deus quanto por seus inimigos.

Una moltitudine sconfinata di anime ignude, punzecchiate da mosconi e vespe, con il volto rigato da lacrime e sangue, pasto di vermi ributtanti ai loro piedi, costituisce la schiera dei vili, ‘che visser sanza infamia e sanza lodo’, ‘a Dio spiacenti e a’ nemici suoi’.

Entre estes, que não merecem ser lembrados no mundo, Dante reconhece um personagem que, na época, devia ser muito conhecido: àquele que por falta de coragem 'a recusa maior tinha cumprido'.

Fra costoro, che non sono meritevoli di nessuna fama nel mondo, Dante vede ed immediatamente riconosce un personaggio che, all’epoca, doveva essere notissimo: ‘colui che fece per viltade il gran rifiuto’ …

Nem o nomeia, mas quase todos reconheceram nele Pietro da Morrone, humilde eremita que tornou-se Papa em 1294 com o nome de Celestino V. A recusa maior, atribuída por Dante a falta de coragem, ocorreu apenas cinco meses após a coroação, com uma abdicação oficial. Era a primeira vez que o fato ocorria na história milenar da Igreja e o acontecimento gerou, naquela época, enorme repercussão e avaliações discordantes.

Non lo nomina nemmeno, ma quasi tutti hanno riconosciuto in lui Pietro da Morrone, l’umilissimo eremita divenuto Papa nel 1294 col nome di Celestino V. Il gran rifiuto, attribuito da Dante a viltà, ebbe luogo solo cinque mesi dopo l’incoronazione, con un atto d’abdicazione ufficiale. Era la prima volta che ciò accadeva nella millenaria storia del Papato, ed il fatto suscitò, all’epoca, enorme scalpore e discordanti valutazioni.

A história merece ser contada. O futuro Papa tinha nascido entre 1209 e 1215 em Iserna, no Molise. Conduziu uma vida de pobreza e dedicação as pobres, como eremita, tornando-se muito popular entre os contemporâneos. Com a morte de Nicolau IV, em 1292, a sede do Papado ficou livre por dois anos, pela incapacidade dos cardeais de chegar a um acordo, sendo muito fortes os contrastes entre as opostas facções em luta pelo poder. O pobre eremita foi, inesperadamente, eleito Papa em 1292, após ter escrito uma carta aos cardeais, em conclave na cidade de Perugia, profetizando acontecimentos trágicos se a Igreja não tivesse logo nomeado o novo Pontífice. Considerado alheio aos jogos do poder, facilmente manipulável e bastante velho para não ocupar por muito tempo o encargo, Pietro da Morrone recebeu a nomeação inesperadamente, em seu retiro e, apesar de receoso, acabou por aceitar. O poderoso cardeal Benedetto Caetani foi seu conselheiro e, com toda probabilidade, convenceu-o a abdicar com a promessa de deixa-lo voltar a seu retiro. Um rápido conclave, seguido da abdicação de Celestino, elegeu Papa o próprio Caetani, com o nome de Bonifácio VIII. Este, voltando atrás com a promessa feita, talvez pelo temor que em volta do ex pontífice pudesse se formar um movimento cismático, aprisionou-o até a morte, ocorrida em 1296.

La vicenda merita di essere raccontata più estesamente. Il futuro Papa era nato fra il 1209 ed il 1215 ad Isernia, nel Molise. Condusse una vita di povertà, eremitaggio e dedizione ai poveri, che lo rese molto popolare e stimato dai contemporanei. Alla morte di Niccolò IV, nel 1292, la sede papale rimase vacante per due anni, per la incapacità dei cardinali di raggiungere un accordo, essendo fortissimi i contrasti fra le opposte fazioni di potere. Il poverissimo eremita fu, inaspettatamente, eletto Papa nel 1294, dopo aver egli stesso scritto dal suo eremo una lettera ai cardinali, riuniti in conclave a Perugia, con profezie di prossime sciagure per la Chiesa se non si fosse nominato al più presto un nuovo Pontefice. Considerato come personaggio estraneo ad ogni gioco di potere, facilmente manovrabile e talmente anziano da non poter occupare troppo a lungo il prestigioso incarico, Pietro da Morrone si vide inaspettatamente annunciare, nel suo eremo, la nomina papale e, pur fortemente riluttante, finì con l’accettare. Il potente cardinale Benedetto Caetani divenne suo consigliere e probabilmente lo indusse a dimettersi, con la promessa di lasciarlo ritornare al suo amatissimo eremitaggio. Un velocissimo conclave, seguito all’abdicazione di Celestino, elesse Papa lo stesso Caetani, che assunse il nome di Bonifacio VIII. Questi, contravvenendo alla promessa fatta e forse per timore che intorno all’ex pontefice potesse crearsi un movimento scismatico, lo fece catturare e lo tenne prigioniero fino alla morte, avvenuta nel 1296, in un suo feudo.

É provável que Dante tenha vivido a eleição de Bonifácio VIII como funesta para seu próprio destino, pelo de Florença, da Igreja e da Itália toda, pelo menos conforme a visão política do Poeta, como consequência da 'recusa maior' de Celestino. Daqui a acusação de falta de coragem. Talvez o próprio Dante tinha esperado que Celestino pudesse operar uma reforma moral da Igreja, recuperando sua função original de guia espiritual da humanidade, libertando-a da tentação de se intrometer na vida política e da obsessão pelos bens materiais.

Probabilmente Dante visse l’elezione di Bonifacio VIII, così nefasta per il proprio destino, per quello di Firenze, della Chiesa e dell’Italia intera, almeno secondo la visione politica del Poeta, come conseguenza del ‘gran rifiuto’ di Celestino. Da qui, probabilmente, l’accusa di ‘viltà’ nei suoi confronti. Ma forse lo stesso Dante aveva sperato che Celestino potesse operare una radicale riforma morale della Chiesa, riportandola alla originale funzione di guida spirituale dell’umanità e liberandola dalle tentazioni di intromissione nelle faccende politiche e dalla dilagante cupidigia di beni materiali.

Francesco Petrarca, por outro lado, reconheceu a incapacidade de Celestino de sustentar um papel tão pesado, seja por inexperiência nos negócios mundanos, seja por sua natureza contemplativa, e julgou o gesto como útil a ele e à humanidade.

Francesco Petrarca, invece, riconobbe la intrinseca incapacità di Celestino di sostenere un così oneroso compito, sia per inesperienza negli affari del mondo che per la sua natura eminentemente contemplativa, e giudicò il gesto utile a lui ed alla umanità.

Celestino V foi declarado santo em 1313 pelo Papa Clemente V. Encontra-se sepultado em Aquila, na basílica de S. Maria di Collemaggio, que ele mesmo tinha mandado construir. O terremoto de 2009, que destruiu a cidade, danificou a magnifica igreja, mas deixou intacta a urna com seus ossos.

Celestino fu dichiarato santo nel 1313 da Papa Clemente V. Si trova sepolto all’Aquila, nella basilica di S. Maria di Collemaggio, che egli stesso aveva fatto erigere. Il terremoto del 2009, che ha distrutto L’Aquila, ha pure gravemente danneggiato la splendida chiesa, ma ha lasciato intatta l’urna con le sue ossa.



Esboço e nanquim dos negligentes

24.5.11

Estadão divulga lançamentos

Saiu hoje no Estado de São Paulo matéria comentando as duas recentes versões da Divina Comédia em Quadrinhos: a editada pela Peirópolis e a de Seymour Chwast pela Cia das Letras.

23.5.11

Porta do Inferno

Porta dell' Inferno

Leiaute, nanquim e arte final da porta do Inferno para a versão em quadrinhos da Comédia.
Studio, chine e arte finale della porta dell'Inferno per la versione a fumetti della Commedia.




Acredito que os versos inscritos sobre a entrada do reino dos mortos sejam entre os mais lembrados pelos estudantes italianos: de fato a comparação sarcástica entre Inferno e escola era entre as piadas mais comuns já na minha época...

Credo che i versi incisi sopra l'entrata del regno dei morti siano tra i piú ricordati dagli studenti italiani: infatti il paragone tra Inferno e scuola era usato sarcasticamente gia ai miei tempi.

Por mim se vai para a cidade ardente,
por mim se vai à sua eterna dor,
por mim se vai entre a perdida gente.
(...)
Antes de mim não se criou jamais
o que não fosse eterno; – e eterna, eu duro.
Deixai toda esperança, vós que entrais.
(tradução de Jorge Wanderley)

Per me si va ne la città dolente,
per me si va ne l'etterno dolore,
per me si va tra la perduta gente.
(...)
Dinanzi a me non fuor cose create
se non eterne, e io etterno duro.
Lasciate ogni speranza, voi ch'intrate".