11.2.17

Dite

La città ch’ha nome Dite

O ritmo narrativo do Inferno é cerrado, não da descanso nem ao vian-Dante nem ao leitor. Situações sempre novas, mudanças repentinas de cena, imprevistos, a sequência de novos tormentos e atormentados e de sempre novos ( e piores) perigos, são dignos de um grande filme de aventura: emocionante, de tirar o fôlego e aterrador ao mesmo tempo.
Il ritmo narrativo dell’inferno è incalzante: non lascia tregua né al vian-Dante né al lettore. Le situazioni nuove, i repentini cambiamenti di scena, gli imprevisti, l’avvicendarsi di nuovi tormenti e nuovi tormentati e di sempre nuovi (e peggiori) pericoli, sono degni di un grandioso film d’avventura: mozzafiato, avvincente e terrificante ad un tempo.

A visão de Filippo Argenti, que descarrega sua raiva impotente contra ele mesmo, mordendo-se com furor, esvaece com o aparecimento das ameaçadoras muras da cidade de Dite, das quais provem um grito doloroso e terrível, que obriga Dante a olhar naquela direção.
La visione di Filippo Argenti, che sfoga la sua rabbia impotente contro se stesso, prendendosi furiosamente a morsi, trapassa, quasi per dissolvenza, nell’apparizione delle minacciose mura della città di Dite, dalle quali proviene un grido doloroso e lacerante, che obbliga Dante a fissare gli occhi in quella direzione.

“Lo buon maestro disse: ‘Ormai, figliuolo,
s’appressa la città c’ha nome Dite,
coi gravi cittadin (i dannati), col grande stuolo’”. (Inf., VIII, 67-69)

E disse o mestre: 'Filho, num momento
vês a cidade que se chama Dite,
de bem culposos gente e ajuntamentos'.
(Jorge Wanderley)

Dite era o nome latino de Plutão, deus do inferno. Aqui, por analogia, indica a cidade de Lúcifer, o 'senhor das trevas', chefe dos anjos rebeldes, jogado do céu no centro da terra, para governar a parte interior do inferno. Nesta região punem-se pecados mais graves, produzidos por malícia e não apenas pela paixão, como anteriormente.
Dite era il nome latino di Plutone, il dio degli inferi. Qui, per analogia, sta ad indicare la città di Lucifero, il ‘signor delle tenebre’, il capo degli angeli ribelli, gettato a capofitto dal Paradiso giù al centro della terra, a governare la parte interiore dell’inferno. In questa zona, infatti, il peccato punito si fa più grave, essendo prodotto dalla volontà maliziosa, e non solo dalla passionalità incontrollata, com’era in precedenza.

Por uma coincidência etimológica casual (que Dante não conhecia...), os termos Dite e Lúcifer são ligados à luz. Dite significa 'luminoso', enquanto Lúcifer significa 'portador da luz', título que manteve também após a queda...
Per una fortuita coincidenza etimologica (che Dante ignorava …), sia Dite che Lucifero sono collegati alla luce. Dite, infatti, significa ‘luminoso, lucente’, (come ‘dì’ e ‘Dio’), mentre Lucifero significa ‘portatore di luce’, e tale nome gli è rimasto anche dopo la caduta all’inferno …

Os muros que se aproximam, reluzem como ferro contra o fundo escuro do pântano pelo fogo que arde no interior da cidade. Aqui e ali, torres em forma de minaretes, e na frente fossos profundos que cercam aquela terra desconsolada.
Le mura della città si profilano, sullo sfondo buio della palude, arroventate come ferro dal fuoco infernale che brucia al loro interno. Qua e là, torri in forma di minareti, e sul davanti profondi fossati, ‘che vallan (cingono) quella terra sconsolata’.

Assim que o barco chega na frente do portal, Flégias expulsa com raiva Dante e Virgílio: 'Fora! Eis a entrada' (VIII, 81), enquanto das muras mais de mil demónios (jogados também do céu na época da queda de Lúcifer) apresentam seu raivoso e peculiar 'bem vindos'.
Giunti davanti alla porta, Flegias, con rabbiosa malagrazia, li catapulta fuori dalla sua barca: “Usciteci, gridò, qui è l’ntrata” (VIII, 81), mentre sulle mura più di mille demoni ( essi pure ‘piovuti’ dal cielo all’epoca di Lucifero), porgono il loro rabbioso, speciale benvenuto.

“Io vidi più di mille in su le porte
dal ciel piovuti, che stizzosamente dicean:
‘Chi è costui che sanza morte

va per lo regno de la morta gente?” (Inf., VIII, 82-85)
Vi mais de mil, na porta e contrafortes,
dos caídos do céu, que iradamente
diziam: 'Quem é este que sem morte
anda no reino da já morta gente?'
(Jorge Wanderley)

Quando Virgílio faz sinal de querer falar com eles secretamente, os demónios convidam-no a seguir sozinho, mas impõem a Dante que torne sozinho de onde veio, se puder:
Quando Virgilio fa segno di voler parlare in segreto con loro, i diavoli, un po’ quietati, lo invitano a procedere da solo, ma impongono a Dante di tornarsene da solo là donde era venuto, se ne è capace:

“Sol si ritorni per la folle strada:
provi, se sa: che tu qui rimarrai

che li ha’ iscorta (scortato per) si buia contrada.” (Inf., VIII, 91-93) .

Torne sozinho à imerecida estrada;
prove, se sabe; e aqui tu ficarás,
que o guiaste à província ensombreada.
(Jorge Wanderley)

As ameaças parecem surtir efeito, o de fazer com que Dante desista da viagem. Virgílio o conforta, garante que ninguém pode barrar sua passagem, que manifesta a vontade de Deus, e que, de qualquer forma, não irá abandona-lo sozinho ali.
Le minacce sembrano produrre il loro scopo, quello di far desistere Dante dal continuare il viaggio. Virgilio lo rincuora, garantendo che nessuno può impedire il loro passaggio, perché voluto da Dio stesso, e che, comunque, non l’abbandonerà laggiù tutto solo.

Mas após uma breve discussão, todos os demónios retiram-se para dentro da cidade, fechando o portal na cara do pobre Virgílio, que volta com os olhos baixos, a passos lentos, humilhado e intimidado, até Dante...
Ma di lì a poco, dopo una breve discussione, i demoni si ritirano tutti dentro le mura, sbattendo le porte in faccia al povero Virgilio, che deve ritornarsene con gli occhi bassi, a lenti passi, tutto umiliato ed intimidito, da Dante …

“Chiuser le porte que’ nostri avversari
nel petto al mio segnor, che fuor rimase

e rivolsesi a me con passi rari.

Li occhi a la terra e le cilia avea rase

d’ogne baldanza, e dicea ne’ sospiri:

‘Chi m’ha negate le dolenti case!” (Inf., VIII, 115-120).
Os nossos adversários num momento
a porta lhe bateram: ficou fora
e a mim tornou andando em passo lento.
Olhos na terra, expressão triste agora,
sem qualquer ânimo, diz num suspiro:
'E quem me nega entrada! E quem me ignora!'.

A situação, com Virgílio aparentemente (e pela primeira vez) vencido e Dante tomado por um compreensível terror, que o deixa empalidecido, alcança o ápice da dramática tensão narrativa, que se resolve apenas quando Virgílio 'sente' a aproximação de uma ajuda celestial.
La situazione, con Virgilio apparentemente (e per la prima volta) sconfitto, e Dante in preda ad un comprensibile terrore, che lo fa impallidire, raggiunge un apice di drammatica tensione narrativa, che si risolve solo nel momento in cui Virgilio ‘sente’ l’approssimarsi di un provvidenziale soccorritore.

“’Pur a noi converrà vincer la pugna’,
cominciò el, ‘Se non … tal ne s’offerse’” (Inf., IX, 7-8)
'Vamos vencer a luta a nosso encargo'
disse. 'Ou então... Alguém nos traz alento.

Antes que o enviado chegue, porém, deverão aparecer ainda as furiosas Erinni e a ameaçadora invocação de Medusa... mas disso já falamos anteriormente neste mesmo blog.
Prima che costui arrivi, però, dovranno ancora apparire, sulle mura, le furiose Erinni e la minacciosa invocazione a Medusa… Ma di questo è già stato scritto in precedenza, su questo stesso blog.

18.6.13

I Seminário Dantesco na UFSC

A divina Comédia e  suas representações intra/interlinguísticas e intersemióticas será o tema abordado no Seminário Dantesco que ocorre nos dias 27 e 28 de junho na Universidade Federal de Santa Catarina. A Divina Comédia em quadrinhos será de base para um retrato da iconografia do além em diferentes épocas e lugares.


1.6.12

Diálogos com Virgílio e Dante

 
PROGRAMAÇÃO ENCONTRO DIÁLOGOS COM VIRGÍLIO E DANTE
As inscrições para as comunicações estão abertas até dia 06 de maio de 2012, no site do evento:  http://www.letras.ufmg.br/virgiliodante


Terça-feira, 19 de junho 2012

8h30 - CREDENCIAMENTO
9h30 – SESSÃO DE ABERTURA Sandra Bianchet (vice-diretora FALE)

 PALESTRAS:
·       Marco Lucchesi (UFRJ), Dante, o egípcio
·       Jacyntho Lins Brandão (Fale/UFMG), "Per luogo etterno": antigos e modernos
Mediadora: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG)

14h00 às 16h00 – COMUNICAÇÕES
COFFEE BREAK

16h30 – I MESA REDONDA
O tempo – imagem e movimento – na tradução de Homero, Virgílio e Dante
Andreia Guerini (UFSC) /Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG), A tradução da imagem segundo Haroldo de Campos
Piero Bagnariol, Iconografia e arquétipos na Divina Comédia
Maria Cecília Miranda (UFMG), A tradução do movimento segundo o cinema-
Mediadora: Ana Maria Chiarini (UFMG)

19h30 – PALESTRA:
Zélia de Almeida Cardoso (USP),
O inferno virgiliano e a ramificação de suas projeções
Mediadora: Sandra Bianchet (UFMG)


 
Quarta-feira, 20 de junho 2012

8h30 – II MESA REDONDA: Angustias e certezas da influência
Raimundo Carvalho (UFES), O inferno de Virgílio
Eduardo Sterzi (FAAP), Dante e a poética do segredo
Doris Cavallari (USP), Superar a teologia: Boccaccio e a invenção da narrativa moderna
Karine Simoni (UFSC), “Necessaria non solo per l’Italia, ma anche per le altri nazioni”: Foscolo e a interpretação de Dante no século XIX
Mediadora: Sandra Bianchet (UFMG)

COFFEE BREAK

10h30 – Lectura Vergilii et Dantis

14h00 – III Mesa Redonda: Ecos latino-americanos
Marcos Rogério (Fale/UFMG), Dante explicando Machado
Anna Palma (Fale/UFMG), Celestina/Angélica: uma leitura de um conto de Machado de Assis
Ana Clark (Fale/UFMG), Chico Buarque, leitor de Dante
Graciela Ravetti (Fale/UFMG), Borges lê Dante: o remoto não é menos nítido que o que está muito perto
Mediadora: Ana Maria Chiarini (UFMG)

Durante os dias do evento será exposta a mostra “A Divina Comédia em quadrinhos”, de Piero e Giuseppe Bagnariol, em frente ao auditório 1007.

A comissão organizadora,
Ana Maria Chiarini
Anna Palma
Sandra Bianchet

29.5.12

Teatralização da Comédia

A ASSOCIAÇÃO LUCCHESI-TOSCANI está convidando a todos para a apresentação da TEATRALIZAÇÃO DA DIVINA COMÉDIA, que se realizará no dia 29/05/2012, às 19 horas, no salão da Igreja Boa Viagem, à Rua Aimorés, 1065 esquina de Rua Alagoas em Belo Horizonte
ENTRADA FRANCA.

2.5.12

Comédia em quadrinhos no Celebrando a Italia

Exposição da Divina Comédia em Quadrinhos compõe programação do ciclo de encontros Celebrando a Italia - 50º anniversario Unità d’Italia no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. A tradução em quadrinhos da Divina Comédia será também tema do encontro no dia 19 de maio (sábado) às 10h.Segue a programação completa.
Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais Rua dos Guajajaras, 1268 – Lourdes - Belo Horizonte – Tel: 3212-4656 www.ihgmg.art.br



13.3.12

Louro era e belo e de gentil aspecto...

Incoronazione di Manfredi a Re di Sicilia
Biondo era e bello e di gentile aspetto ...

"Io mi volsi ver lui e guardail fisso:
biondo era e bello e di gentile aspetto, ma l'un de' cigli un colpo avea diviso." (Purg, III, 103-105)
Voltando-me encarei-o com porfia:
louro era e belo e de gentil aspecto
mas nos cílios um golpe se lhe via.
(Henriqueta Lisboa)

Assim Dante descreve seu encontro imaginário com Manfredi, filho preferido do grande Frederico II, entre os principes que demoraram em se arrepender, no terceiro canto do purgatório. Manfredi era filho natural de Frederico, não o único, já que o imperador teve filhos de montão... Filho natural mas legitimado pelo mesmo pouco antes de morrer, graças ao casamento com Bianca Lancia, sua mae. O casamento foi ditado também por motivos políticos, mas coroou também o grande amor que Frederico sentia por Bianca. A Igreja, porém, não quis reconhecer a união, já que ambicionava ficar com o reino do sul da Italia: Nápoles e Sicília. Vários papas, a cada lenhada que tomavam do valente Manfredi, respondiam excomungando o mesmo, além de ofensas e calunias: bastardo, usurpador, parricida. Sim, parricida, divulgando com habilidade um falso sobre esta questão... mas esta não foi a primeira vez (nem a última!).
Così Dante descrive il suo immaginario incontro con Manfredi, figlio prediletto del grande Federico II, fra i Principi che tardarono a pentirsi, nel terzo canto del purgatorio.
Manfredi era figlio 'naturale' di Federico, non l'unico, che l'Imperatore ne ebbe un sacco... Figlio naturale, ma legittimato dallo stesso, poco prima di morire, grazie al matrimonio con Bianca Lancia, sua madre. Matrimonio dettato anche da motivi politici, ma coronamento del grande amore nutrito da Federico per la stessa. Ma la Chiesa non lo volle riconoscere, per proprio tornaconto, giacchè aspirave a prendersi il regno del sud: Napoli e Sicilia. I vari papi, ad ogni batosta che si prendevano dal valorosissimo Manfredi, rispondevano con una scomunica allo stesso, nonchè con l'offesa e la calunnia: bastardo, usurpatore, patricida. Sì, perfino patricida, diffondendo ad arte un falso sulla questione... Ma non era la prima volta (nè l'ultima!).

Battaglia di Benevento
Finalmente, Papa Clemente IV, em 1266, decidiu nomear Carlos I de Anjou Rei da Sicília. O 'francês sem terra' não hesitou  em se jogar sobre a presa apetecível. Tendo trazido de volta o Papado de Viterbo para Roma, levou a cabo a própria 'nobre' (e 'santa') cruzada...
Manfredi, estoicamente defendido por tropas de sarracenos, sicilianos e alemães, mas abandonados pelos Barões italianos, aliados calculistas e medrosos, morreu em Benevento, no dia 16 de Fevereiro de 1266, lutando heroicamente até a última gota de sangue... Infame página de história do Papado e dos 'Italianos' destinada a não ser a derradeira!
Alla fine, Papa Clemente IV, nel 1266, si decise a nominare Carlo I D'Angio' Re di Sicilia. Il 'Francese senza terra' non esitò a buttarsi sulla ghiottissima preda. Riportato il Papato da Viterbo a Roma, portò a compimento la propria 'nobile' (e 'santa') crociata contro gli Svevi...
Manfredi, strenuamente difeso dalle truppe saracene, siciliane e tedesche, ma abbandonato dai Baroni italiani, suoi calcolati e pavidi alleati, morì a Benevento, il 26 febbraio 1266, combattendo eroicamente fino all'ultima goccia di sangue... Vergognosa pagina di storia del Papato e degli 'Italiani', destinata a non esser l'ultima!

Mas voltemos a Dante
Ma torniamo a Dante.
...
Poi sorridendo disse: Io son Manfredi,
nepote di Costanza imperatrice
( ...)
Se 'l pastor di Cosenza, che a la caccia
di me fu messo per Clemente allora,
avesse in Dio ben letta questa faccia, (accenno al pentimento in punto di morte)
l'ossa del corpo mio sarieno ancora
in co' del ponte presso a Benevento
sotto la guardia de la grave mora. 
(Il tumulo di pietre, eretto in sepoltura dagli stessi francesi, in suo onore!)
Or le bagna la pioggia e move il vento
di fuor dal regno, quasi lungo 'l Verde,
ove le trasmutò a lume spento. 
Dorè: Or la bagna la pioggia e move il vento
(Purg, III, 107-145)
 E acrescenta a sorrir: "Eu sou Manfredo,
 o neto de Constança, a imperatriz.
(...)
se o Pastor de Cosenza que na caça
dos meus restos, a mando de Clemente,
de Deus houvesse pressentido a graça,
(acena ao arrependimento em ponto de morte)
meus ossos estariam ainda em frente
à ponte quase junto a Benevento
sob a guarda da lápide silente. (o túmulo de pedras erguido pelos franceses em sua honra!).
Agora os banha a chuva e os move o vento
fora do reino perto ao rio Verde
transportado com lumes de escarmento.
(Henriqueta Lisboa)

Era a solene excomunga post mortem, encomendada pelo próprio Clemente IV e perpetrada pelo bispo de Cosenza: aviso para todos e perseguição sobre o cadáver do heróico principe do qual era preciso apagar até a futura memória.
'Agora os banha a chuva e os move o vento'...
extrema síntese dantesca, de alto valor poético, trágico e humano, eterna vergonha para Clemente e Cia. mas imortal exaltação do louro, belo e gentil último príncipe desta dinastia na Itália...
Era la solenne scomunica post mortem, voluta dallo stesso Clemente (Clemente?), e perpetrata dallo scagnozzo che gli faceva da Vescovo a Cosenza: ad ammonimento di tutti, ed in accanimento perfino sul cadavere dell'eroico principe, di cui andava cancellata anche la futura memoria.
'Or la bagna la pioggia e move il vento'...
Estrema sintesi dantesca, di altissimo valore poetico, tragico ed umano, a perenne vergogna di Clemente & Co, ma ad immortalare, per sempre, il biodo, bello e gentile ultimo principe Svevo in Italia...

18.2.12

Federico II: um imperador illuminado

Federico II: un imperatore illuminato

La nascita di Federico II a Jesi
Neto de Frederico Barbarossa, filho da imperatriz Constança, pai de Manfredo e avô de Conradino da Germânia, Frederico II da Germânia (Jesi, 26-12-1194 - Castel Fiorentino, 13-12-1250) é um dos maiores homens políticos da historia da Itália. Hoje, aliás, poderíamos apenas sonhar com um personagem como ele... Mas paciência: o fim do mundo ainda não chegou!
Nipote di Federico Barbarossa, figlio dell' Imperatrice Costanza, padre di Manfredi e nonno di Curradino di Svevia, Federico II di Svevia (Jesi, 26-12-1194 - Castel Fiorentino, 13-12-1250) è uno dei più grandi uomini politici della storia d'Italia. Oggi, ancora, ce lo sogneremmo, un personaggio come lui... Ma pazienza: la fine del mondo non è ancora arrivata!

Dante, sem duvida, sente por ele, ghibellino e herético presumido ("Com mais de mil aqui me igualo, entre eles o segundo Federico" - Inf, X, 118 -119 - Trad. Jorge Wanderley), uma admiração não disfarçada. No canto III do paraíso, introduzindo a figura da mãe dele, Constância de Altavilla, (espírito que faltou com os votos),  Dante, por meio de Piccarda, assim se expressa: "É a excelsa Constância, a que radia: deu de Suábia ao imperador segundo herdeiro, em que extinguiu-se a dinastia" (Par, III, 40-43 trad. J.X. Pinheiro). Em outras palavras, elogia o soberano abertamente como tendo sido liberal e iluminado. Mas a Comédia era, antes de tudo, uma obra de caráter moral...
Incontro di Dante con Costanza. (Dis.di Piero Bagnariol - A Divina Comedia HQ)
Dante, indubbiamente, prova per lui, Ghibellino, eretico o supposto tale ("Qui con più di mille giaccio: qua dentro è 'l secondo Federico" - Inf, X, 118-119, Eretici), una non celabile ammirazione. Nel canto III del Paradiso, introducendo la figura di sua madre, Costanza d'Altavilla (spirito che mancò ai voti), Dante, per bocca di Piccarda Donati, dice così: "Questa è la luce della gran Costanza / che del secondo vento di Soave (la seconda generazione Sveva) generò il terzo e l'ultima possanza." In altre opere lo elogia apertamente come sovrano liberale ed illuminato. Ma la Commedia era, prima di tutto, un'opera di carattere morale...

La corte di Federico II
Tudo, no grande Federico está envolvido numa áurea lendária, entre magia, mito, bruxaria, magnanimidade e crueldade (e em tudo há, pelo menos, um pouco de verdade): tudo, desde seu nascimento. A mãe, em idade já avançada, conseguiu, quase milagrosamente, ficar grávida e dar ao marido, Henrique VI, Imperador do Sacro Romano Impero, o tão esperado herdeiro. Entrada em trabalho de parto na região de Marche, em caminho para a Sicília, aonde se encontrava o marido, acabou por parir em Jesi, numa praça pública (ao abrigo de um pequeno palanque, claro...).
Isso porque o povo, e não apenas o povo, queria a prova de que era um parto de verdade e não um embuste... Muitos, de fato, esperavam ocupar o Reino da Sicília, em caso de 'Vacatio Imperatoris', de falta de herdeiros naturais, in primis Santa Romana Chiesa (não teria sido nem o primeiro nem o último caso)...
Tutto, del grande Federico, è avvolto da un alone leggendario, in bilico fra magia, mito, stregoneria, magnanimità ed efferatezza (ed in tutto c'è almeno un po' di vero); tutto, a partire dalla sua nascita. La madre, ormai molto avanti con gli anni, riuscì, quasi miracolosamente, a restare incinta, e a dare al marito, Enrico VI, Sacro Romano Imperatore, il tanto atteso erede. Colta dalle doglie nelle Marche, in viaggio verso la Sicilia, ove si trovava il marito, si fermò a partorire a Jesi, e dovette farlo in una pubblica piazza (beninteso al riparo di un baldacchino... ). 
Ciò perchè il popolo, e non solo il popolo, pretese la prova che si trattasse di un parto, e non d'una messinscena... Molti infatti, ambivano ad occupare il Regno di Sicilia, in caso di 'Vacatio Imperatoris', di mancanza di eredi naturali, in primis Santa Romana Chiesa (non sarebbe stato né il primo né l'ultimo caso)...

Tendo ficado órfão do pai com três anos (e uma lenda guelfo-católica da época sustentava que ele o teria sufocado; veja só estes guelfos!), teve diversos tutores, entre os quais vários padres. Sua relação com a Igreja foi um bobe-desce de amores, alianças, ódios, guerras, excomungas e remissões das mesmas, por toda vida...
Será suficiente lembrar que, quando um ano depois morreu também da mãe, esta estabeleceu no testamento que o pequeno ficasse sob a tutela do Papa (Inocêncio III), com um belo montante de trinta mil talentos de ouro. Pelo incomodo, diríamos hoje; na verdade com a esperança de que Inocêncio ficasse satisfeito e não esticasse as garras sobre o reino...
Esperança vã, já que Inocêncio e os sucessores tentaram repetidamente o feito de diversas formas e em diversos momentos... Mas o jovem, crescendo, demonstrou ter um caráter nada remissivo. De fato, morreu ainda Imperador, apesar de, nesta altura, o reino já estar vacilando.
Castelloursino, Catania. Eretto da Federico II
Daí a pouco, de fato, a Igreja tentou com sucesso, tanto com o filho Manfredi (ao qual Dante dedica uma homenagem póstuma no Purgatório), quanto com o neto, Conradino - sobre a execução do qual (foi decepado, com apenas dezesseis anos, pelos Anjou em Nápoles) o próprio Dante irá escrever dois versos, sarcásticos e indignados, contra Carlos de Anjou, o carniceiro: "Carlos, Itália entrando, em penitência vitimou Conradino... (Pur. XX, 23-24, por J.X. Pinheiro)
Rimasto orfano a tre anni del padre (e una leggenda ... guelfo-cattolica dell'epoca sosteneva che lo avesse soffocato; guarda un po' questi Guelfi!), ebbe vari tutori, fra cui non pochi preti. Il suo rapporto con la Chiesa fu un'altalena di amori, alleanze, odii, guerre, scomuniche e remissioni dalle stesse, per tutta la vita... 
Basti dire che, quando un anno dopo morirà anche la madre, questa dispose per testamento che il piccolo fosse sotto la tutela del papa (Innocenzo III), con la bella sommetta di trentamila talenti d'oro. Per il disturbo, si direbbe oggi; in realtà nella speranza che Innocenzo si accontentasse, e non allungasse gli artigli anche sul Regno... 
Vana speranza, giacchè Innocenzo ed i successori ci provarono, eccome, in vari modi ed in più riprese... Ma il giovane, crescendo, dimostrò un carattere tutt'altro che remissivo. Morì, infatti, ancora Imperatore, sebbene il regno già traballasse.
Di li a poco, infatti, Santa Romana Chiesa ci riprovò, con pieno successo, sia con il figlio, Manfredi (cui Dante dedicherà uno straziante omaggio postumo in Purgatorio), che con il nipote Corradino, del cui scempio (decapitato a soli sedici anni dagli Angioini a Napoli), Dante stesso sciverà due versi in sua memoria, sarcasticamente sprezzanti  contro Carlo D'Angio', il carnefice: "Carlo venne in Italia, e per ammenda / vittima fè di Corradino... (Purg, XX, 23-24).

Mas voltemos a Frederico, ao seu secretário-primeiro ministro Pier delle Vigne e à tragédia final... Pier delle Vigne não foi, com certeza, isento de culpas, primeira entre todas a de penetrar tão profundamente no coração de Frederico, ao ponto de excluir todos os outros. Até àquele momento, o Príncipe iluminado tinha conseguido, de fato, criar uma monarquia  constitucional, confiando a pessoas excelentes a gestão de importantes questões administrativas. Mas a chegada de Pier delle Vigne, marcou o 'começo do fim'. Confiou nele cegamente e, talvez por isso também, sofreu a mais humilhante derrota em Parma, em 1248. Os parmenses, sitiados havia tempo, aproveitaram de uma saída dele para uma caçada e destruíram exercito e acampamento...

Ma torniamo a Federico, al suo segretario-primo ministro Pier delle Vigne, ed alla tragedia finale.
Pier delle Vigne sicuramente non fu esente da colpe, prima di tutte quella di penetrare così a fondo nel cuore di Federico, da farne escludere tutti gli altri. Fino a quel momento, infatti, l'illuminato Principe aveva saputo creare il prototipo di una moderna monarchia costituzionale, affidando ad eccellenti persone la gestione di importantissime funzioni amministrative. Con Pier delle Vigne, invece, fu l'inizio della fine. Si fidò ciecamente di lui e, forse anche per questo, patì la più umiliante e grave delle sconfitte a Parma, nel 1248. I Parmensi, da tempo assediati, approfittando di una sua sortita a caccia, distrussero esercito ed accampamento ...

Casteldelmonte (Puglia). Il castello ideale
A ira de Federico caiu também sobre o amado secretário, acusado (fato historicamente acertado) de tramar com o papa... O resto já foi dito no artigo anterior deste blog... no dia 13 de dezembro de 1250, em Castel Fiorentino, na amada região de Puglia, Federico morreu, provavelmente envenenado, por um ataque de disenteria...
Bem que o avô dele, o grande Barbarossa, tinha avisado, e mais de uma vez: é melhor ficar longe da Itália. O mais longe possível!
L'ira di Federico si riversò anche sul tanto amato segretario, accusato (ed è storicamente vero!), di tresche con il papa... Il resto lo sappimo dal precedente articolo di questo Blog..
Il 13 dicembre 1250, a Castel Fiorentino, nell'amatissima Puglia, Federico II morì, probabilmente avvelenato, per un attacco di dissenteria ...
Eppure suo nonno, il grande Barbarossa, lo aveva detto, e più volte: dall'Italia, meglio stare lontani. Il più possibile!